sexta-feira, janeiro 21, 2011

Deste ano

Há 6 anos e dois meses para cá, estive sempre ou grávida ou a amamentar (com um mês de intervalo- Set 2007). E dito assim parece que sou mãe de 3 ou 4. Mas não. Apenas duas.
Mas na realidade já mereço descanso das malvadas hormonas, não?
(E então quando o leite acabar definitivamente...)


Se voltar a estar grávida nos próximos tempos (se isso acontecer, por favor internem-me compulsivamente) é porque tive um colapso qualquer e me esqueci como é bom ser "livre" de cheliques de grávida/lactante.

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domingo, janeiro 02, 2011

A primeira resolução

A primeira resolução de ano novo já estava tomada há algum tempo. Adiei para este ano porque assim não tinha desculpa para voltar atrás. Para ir adiando. Parece fácil. Mas só parece, porque não é. E qual é essa resolução? Parar a amamentação. Amamentar a minha bebé tem sido muito bom, mas por vezes também menos bom. Em Agosto já tinha pensado terminar (Porque também foi quando tinha quase 26 meses que deixei de amamentar a Mariana.) Só que nesse mês, a Matilde começou a só querer mamar de manhã quando acordava e à noite antes de deitar. Não estava "viciada". A mim não me custava nada, ela gostava, alimentava-a e tínhamos aqueles momentos só nossos, que só quem amamentou sabe do que falo. Principalmente com uma criança desta idade, a troca de olhares e mimos durante aqueles momentos são das melhores recordações que tenho desde que sou mãe. Principalmente com ela, que é uma criança tão expressiva. Só que passados uns tempos, ela começou a querer mamar a toda a hora. Sempre que estava comigo. E se tinha dias que só mamava uma vez, havia outros que queria mamar a todas as refeições. E saltava refeições porque preferia mama. Havia dias que me sentia no céu enquanto amamentava e outros que só queria terminar esta dependência.
Assim pensei que talvez nas férias do estágio, no final de Dezembro, fosse uma boa altura (porque não tinha de me levantar tão cedo e podia descansar um pouco de manhã caso a noite fosse má). Acabei por adiar até este ano. Dia 1, ainda mamou uma vez depois da meia noite (acordou assustada com as cornetas) e durante a madrugada. À noite adormeceu sem mamar mas de madrugada pediu. Consegui que adormecesse novamente só com a chupeta, sem mamar. De manhã estava a pedir mas eu recorri ao plano B. Não precisei de fazer isto com a Mariana e sinceramente acho um bocado antipedagógico, mas tinha de ser. Esta miúda é (muito) persistente. Fui buscar um verniz vermelho e fiz 4 pintas em redor do mamilo. E mostrei-lhe. Comecei a ver a cara de aflita da Mariana e chamei-a à parte enquanto lhe explicava que era apenas verniz. Depois de o tirar mostrei-lhe e ela sorriu (tão sensível, esta minha filha). A prima Helena, que está cá em casa (temos cá 3 emplastros desde a passagem de ano) começou logo a dizer que se via bem que era verniz.
A Matilde passado um bocado perguntou-me :
-" Mamã, tens sangue na maminha?"
Senti um aperto no peito. Sou contra isto. Devia ser com explicações. Só. Sem dramas. Mas esta miúda não é fácil... Se ela ficar traumatizada com isto, a culpa é minha. Mas eu conheço um psicólogo excelente e pago a psicoterapia à miúda. Bem, comecei o ano bem lançada para ir para o inferno, eu sei. Mas dizem que é lá que encontrarei os meus amigos. Menos mal. Eheheh. (Isto era suposto ser um post sério.)
Agora só falta continuar esta decisão. Que não vai ser fácil. Confesso que sentir que foi a última vez que amamentei na minha vida me deixa já uma saudade nostálgica. Mas é inesquecível o que sentimos. Jamais esquecerei aquele olhar dela e a sensação de plenitude durante esses nossos momentos.

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quarta-feira, outubro 01, 2008

O que nos deixa a pensar

Já me habituei aos meus valores baixinho. Da tensão, da glicose, do colesterol, etc.
Há uns dias tive uma hipoglicémia. Não tão grave como a que tive antes de engravidar da Matilde, mas também me pôs de rastos. Comecei a deixar de ver os contornos dos objectos e das pessoas, a suar muito e a sentir-me sem forças. Ainda coloquei o pacotito de açúcar debaixo da língua mas já estava com valores demasiado baixos para esta "terapia".
A sensação é demasiado angustiante. De morte eminente. E o meu aspecto devia ser tão bom ou tão mau, que me recordo de várias pessoas terem vindo ter comigo oferecerem-me auxílio. Não me recordo bem das caras ou do que disseram. Apenas uma me ficou na memória. Viu-me com a Matilde tão pequena e perguntou-me se me sentia bem. Com muito esforço, lá lhe respondi que estava a melhorar. Ela perguntou-me se tinha alguma coisa a ver com a bebé. Que também tinha tido um bebé. Que se sentia mal frequentemente e lhe tinham diagnosticado uma depressão pós parto. Se precisava de ajuda. Lá lhe expliquei que era apenas uma hipoglicémia mas fiquei a pensar (ou melhor, quando recuperei pensei) que muitas vezes é preciso uma puérpera se sentir mal para alguém reparar que as coisas não estão bem. Que o pós parto é levado demasidas vezes com uma ligeireza incrível. Que o apoio depois do parto devia passar muito pelo acompanhamento das mulheres.
Claro que estamos muito longe dessa realidade. Que por enquanto, quase todas vamos passando pelos Blues e algumas de nós por depressões pós-parto sozinhas. Sem que ninguém repare. E como temos a mania que somos super-mulheres, aguentamos. Até aquele dia...
(E não, por enquanto não é o meu caso).

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sábado, maio 31, 2008

Há coisas que nunca disse aqui...

ou porque tinha vergonha ou porque achava que nunca ninguém ia acreditar ( a não ser quem viu). Hoje acho que já me sinto em condições de falar nisso sem me sentir (muito) ansiosa.
Assim sendo, aqui vai:
A Mariana nos primeiros dias, era um bebé muito dorminhoco. Adormecia por tudo e por nada. A médica disse-me que quando ela completasse o resto do tempo que deveria ter estado na barriga que mudava. E assim foi. Mas até lá era muito preguiçosa. Adormecia a mamar. Mamava um minuto, adormecia dez. E se eu tentava tirar-lhe a mama, berrava. Também não queria chupeta. Eu tentava todas as técnicas para a acordar: despi-la, mexer-lhe nas orelhas, etc. Não conseguia. Toda a gente tinha uma teoria ou conselho. Mas na práctica... e sei que foram muitos os que acharam que nunca iria conseguir amamentar em condições.
Eu apontava num caderninho as horas a que lhe dava mama e durante quanto tempo. Tal era o descontrolo.
Há um tempo dei-me ao trabalho de somar as horas que ela passava com a mama na boca. Chegaram a ser 10 horas (em 24 que o dia tinha). Daí o meu desespero, os meus choros, as minhas gretas. E eu, quando dizia alguém que ela estava mais de uma hora de cada vez, agarrada a uma mama, criticavam-me. A médica era uma dessas pessoas. Deixei de contar. Fingia que ela estava o tempo normal. Não me queixava. Mas chorava muito. E pensava porque é que isso só me acontecia a mim. O Pedro assistia e acho que também desesperava. Foi uma fase muito complicada. Juntamente com a adaptação à nova condição de mãe, pôs-me de rastos. Poucas semanas depois, tudo passou. Mas acredito que o desgaste dessa fase só se fez sentir muito mais tarde.
E é por isso que tenho medo. De passar por isso tudo, outra vez.

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sexta-feira, maio 30, 2008

Saudades

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Saudades

Nos últimos dias tenho visto e revisto fotos da altura do nascimento da Mariana. Confesso que há muita coisa que tendo sido hà tão pouco tempo, já não me lembrava. De ela ser tão pequena. De nascerem tão frágeis. De cuidados que nestas idades agora já não temos, mas que nos recém nascidos temos que ter. Acho que é bom poder ter algum tempo para me ir preparando para esta grande mudança na minha vida (Eu já sabia que me esquecia de muita coisa sobre recém nascidos porque aconteceu-me o mesmo depois de ter ajudado a cuidar da Helena. Quando a Mariana nasceu, parecia que era tudo novo).
Uma das coisas que quando a Mariana nasceu nunca pensei dizer, era que iria ter saudades de amamentar. O caminho foi tortuoso até as coisas normalizarem. Chorei muito. Tive muitas dores, febre e afins. Só nunca pensei em desistir. Lembro-me de pensar que a preparação para o parto, devia ser antes a prepararação para a amamentar. De me sentir diferente quando lia blogs onde tudo corria às mil maravilhas. Ainda hoje, quando leio uma recém mamã a passar pelo que eu passei, não fico indiferente. Normelmente dou-lhe o meu testemunho de esperança. As contas finais de 25 meses de amamentação. Do prazer que isso se tornou para as duas. Daqueles momentos.
Mas mesmo assim tenho medo que história se repita. As dores, os choros, os medos, etc.
A outra coisa que mudou, é que eu dizia que só amamentaria retirada, sem estar aos olhos dos outros, mas ao fim de alguns meses, a Mariana começou a tirar a fralda que nos "protegia" e como não comia quase nada, começou a exigir mamar em qualquer local. Passei a amamentar em sítios públicos, tentando ser discreta, claro. Desta vez, sei que assim será também. Andarei de "mama ao léu" durante muito tempo, se as coisas correrem bem. E tenho muitas saudades...

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