quarta-feira, junho 30, 2010

Mariana

Há 5 anos acordava sem imaginar que seria ainda nesse dia que rumaria à maternidade para conhecer a minha princesa.
Há 5 anos desconhecia este amor imensurável e incondicional.
Estou tão feliz, quanto ela: amanhã será finalmente o grande dia.

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domingo, junho 20, 2010

Delas

A mais velha vai contando os dias que faltam para o aniversário:
-" Hoje é dia 19, sábado."
-" Como é que sabes, Mariana?"
-" Olha, então a X. ontem escreveu no quadro Sexta-feira, dia 18... Faltam dia vinte, um dia. Dia vinte e um, dois dias, dia blá blá blá..."
Já há uns tempos que pede de presente um relógio. Perguntei-lhe o que gostaria de receber mais.
-" Roupa, cuequinhas, livros e molas com brilhantes."

A mais pequena não pára. Está melhor e amanhã já vai à escola. Tão reguila, tão sabida.
Como ficou em casa da minha mãe esta semana, a D. I. é que lhe dava a comida.
-" Se não comes Matilde, dou a tua comida a esta boneca."
-" Num dás náda. Eua (ela) não tem boca."
Tem sempre resposta. Vai buscar expressões não sei bem aonde. A irmã é sempre a culpada dos disparates dela. Continua linda, o raio da miúda.

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quinta-feira, junho 10, 2010

Da maior...

- "Quando for grande, vou ser bailarina e purssora (professora)."

Depois de eu a repreender, ela a afastar-se:
-" Têm a mania das limpezas, porra."
(Sem comentários...)

" És tão reguila Matilde. Mamã, o que significa reguila?"

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sábado, junho 05, 2010

E das pequenas

Mariana:
Continua todos os dias a falar na festa de anos. Sabes os meses quase todos seguidos (excepto o Setembro e o Novembro) e vai sabendo os dias que cada um tem. Tudo para chegar a Julho. Cada vez mais ansiosa. Sabe os meses (e o dia) que nós e os amigos fazem anos.

Hoje:
-" Mamã, viste o autocarro dos hospitais?"
-" O quê?"
Era uma ambulância...
Tão engraçada a minha princesa.

Matilde: (Coisas deliciosas dela...)
- " Queio comê uma banana à mão. Óbigada."
-" Eu tou a ber o casteuo lhá em xima"
-" Góto de ti, meu amô, mamã."
-" Eu bou lebái os munhecos todos, tá bem mamã?"

Canta tudo. Todas as músicas que ouve. Perfeitinhas. Dá gosto ouvi-la. Tão linda a minha bebé.

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segunda-feira, maio 31, 2010

Aguardando ansiosamente por Junho, para que Julho não demore

-" Mamã, hoje é dia 30, já chega de Maio?"
(Esta ansiedade toda tem a ver sempre com o mesmo, o aniversário...)

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segunda-feira, maio 10, 2010

Cá por casa II

A contar uma história altamente elaborada, com vocábulos rebuscados e a certa altura:
-"... e não era um diamante, era um cristalante."- diz ela com uma pausa a soar a poesia.
Tão engraçada, esta minha filha. Continua a inventar palavras.

(E bem sei que o blog agora se resume a pequenas anotações do crescimento delas, mas o tempo está curto e há que abreviar).

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segunda-feira, maio 03, 2010

Pressa de crescer

Já só faltam 2 meses para deixar de ouvir todos os dias:
-"Mamã, quanto tempo falta para eu fazer 5 anos?"
Já o ano passado foi assim. A partir de Janeiro os amigos da escola começam a fazer anos e ela anda impaciente para fazer também. Até disse ao Pedro que o melhor é fazermos a festa já à criança, para lhe acalmar os ânimos. ;)

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quarta-feira, dezembro 30, 2009

Giras dela

-" Mamã, vais adivinhar o que eu comi na escola."
-" Sopa"- disse eu a ganhar tempo, visto que comem sempre sopa.
-" E mais?"
-" Maçã "- o mais provável nesta altura.
Negou e depois de eu tentar laranja, pêra e banana (as mais prováveis):
-" Começa por um A"
-"Ananás"- disse eu, a medo.
-"Sim. E mais? Começa por um C do cão."
-" Carne."
-" E mais? Começa por um A." - continua ela.
Eu hesitei.
-"Arroz mamã. E mais? Começa por um I."
-" I, filha? Não sei."
-" Irvilhas mamã."
Ah, pronto. Ihihih.

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segunda-feira, dezembro 28, 2009

Persistente

Devia ter pedido no Natal um dicionário de francês. Com Espanhol desenrasco-me bem. Quando não sei, meto um "i" no meio da palavra e é quase infalível. Ela repete toda contente. Em Inglês é mais fácil. Francês é que só tive três anos na escola, e já foi há 19 anos.Claro que depois disso, já fui falando (e cantando) em francês. Mas falta-me algum vocabulário.
Dá para rir? Pois, então como é que se diz, raposa em francês? E não vale ir ao Google. Sim, porque estão dois olhinhos à espera de resposta rápida sem direito a "a mamã não se lembra...".
Hoje ainda começou a perguntar:
-" Mamã, e em Inglês? E em Francês? E em Espanhol? E em...
Confesso que tremi. Afinal ninguém gosta de dizer "Não sei filha. Mas vou ali ao Google num instante." Calou-se. Não foi desta, mas não devo escapar muito mais tempo.
Em troca disso:
-"Mamã, a seguir ao quarto é qual?
-"O quinto".
E a seguir?
-" O sexto"
E a seguir?
E assim, até ao "trigésimo terceiro". De repente lembrei-me de lhe perguntar se já chegava. Olhou para mim, sorriu, disse que sim, e passados 2 segundos saiu-se com mais uma enchurrada de perguntas. Muito gira esta fase, sem dúvida, mas super exigente também (e porque é que ela não pergunta ao pai?)

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terça-feira, dezembro 22, 2009

Direita ou esquerda

Prefere a mão esquerda para escrever. A direita para tudo o resto. Hoje assinou duas cartas para o Pai Natal. Uma com a mão esquerda, outra com a mão direita. No espaço de poucos minutos. Eu a observar atentamente, mas sem dar nas vistas. Para perceber com qual mão escreve melhor. Ficaram iguais as assinaturas. A dúvida persiste.

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Mariana sempre insatisfeita

A última novidade agora é pedir-me para lhe ensinar a contar até dez em Francês e Espanhol. Ainda bem que a cachopa não sabe que existem alemães e ucranianos (e se calhar o melhor é eu começar já a aprender).

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terça-feira, dezembro 15, 2009

Saídas dela

As duas a chamarem por mim, antes de eu chegar a casa:
-"Mamã, mamã".- diz a mais pequena.
-"Mamã, mamã. Ai esta rapariga..."- diz a Mariana.

Em casa da avó, eu a trabalhar a kms de distância e ela:
-"Mamã. Vem cá Patrícia. Tu não me ouves, Patrícia?"

-"Quem é que pôs o dedo no mousse?"- pergunta a tia.
A Mariana com o dedo no ar e a olhar para ele de todos os lados, como quem procura vestígios:
-"Eu não."
Ah pois não. Lá ela era capaz...

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Só quer letras e números

-"Mamã, já sei escrever Rita. É um R, um I, um T e um A. E a outra Rita tem um A antes ."(estava a falar da amiga Ana Rita)
Gosta de adivinhar como se escrevem as palavras através dos sons. Sabe que o som "a" e "á" corresponde à mesma letra. Tal como o "re" e o "rre". No outro dia queria escrever a carta ao Natal, e o Pedro foi ditando umas letras e às vezes alguns sons. Saiu isto:
Maquina futugrafica (eheheh. O som "u", ela não sabe que se escreve "o".)
Conhece quase todas as letras minúsculas.
Ontem queria fazer as actividades dos livros da prima. Oh God.

CLS, ela também gosta muito de números e "contas". Hoje:
-" Mamã, quando eu tiver 11 anos, a Matilde vai fazer 8."
Adora fazer este jogo. Está sempre a dizer que quando tiver "x" anos, a irmã vai fazer "y".
Sabe os números que vêm antes e depois. Faz contas pequenas.

É por isto que tentamos que tenha bastantes actividades extracurriculares, dentro do horário lectivo, claro. Senão passava o tempo todo a fazer contas, desenhos e letras.

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Já que inglês não podia ser...

A Mariana costuma ver Rucas do Youtube no computador. Ela é que os vai mudando consoante vão terminando. Um dia destes estava a ver uns episódios e chamou-nos. O Pedro percebeu que estava a dar um Ruca hardcore, daqueles que dizia asneirolas cada uma pior que a outra. Ela muito aflita:
-"Papá, vem cá que este Ruca está a falar francês."

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sexta-feira, dezembro 04, 2009

O maior susto

Depois da crise que teve dia 13 de Novembro, a Mariana ficou melhor. Andou um ou dois dias até recuperar totalmente, como costume. Passou essa semana, e na semana seguinte teve tosse um ou dois dias em momentos isolados, mas nada de especial. Na sexta-feira (27), veio com tosse da escola. Fomos a um aniversário à noite e ela esteve sempre com aquela tosse irritativa. De repente começou com uma tosse funda, estridente. Auscultei-a e estava péssima. Fomos directamente ao hospital, que estávamos perto e nem liguei para a linha saúde 24, como costumo fazer. Não havia tempo. Fizeram-lhe o Salbutamol. O turno médico mudou entretanto, e quem a observou depois, foi uma pediatra nova e muito competente. Auscultou-a entre cada "máscara" e estava super atenta. Como a situação estava complicada, fez-lhe adrenalina também. Apanhei o susto maior, desde que sou mãe. Viemos para casa já de madrugada, com a Mariana medicada com o Rosilan novamente e com uma consulta de asma marcada. Pela médica que embora seja ainda nova, não se preocupou de passar "por cima" da opinião da pediatra da minha filha. Durante a madrugada, eu nem conseguia adormecer tal era o estado de nervos. Ela ainda não estava nada bem mas precisava de descansar. Dormiu mal também. Connosco, para estarmos sempre alerta. No Domingo à noite, quem a visse não diria que tinha tido aquela crise. Ficou bem. Na segunda de manhã marquei uma consulta com uma pneumologista, que por sorte (de alguém ter desmarcado), consegui nesse mesmo dia.

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quarta-feira, novembro 25, 2009

Dela II- para não me esquecer

Está na fase das letras, já há uns meses. Sabe escrever de cor palavras tipo mamã, papá, Mariana, Sara, Matilde e Gabriel. Consequentemente sabe lê-las. É giro poder jogar jogos com ela, em que lê essas palavras. A primeira vez que a vi "ler" a palavra mamã arrepiei-me. Como quando as ouvimos dizer pela primeira vez, mamã.
Os desenhos estão sempre cheios de letras, pelo meio. Assina-os e depois ainda escreve Sara e Gabriel. É perfeccionista e acha sempre que ainda não estão bem escritos. Treina imenso. Zanga-se connosco quando tentamos que brinque sem ser com letras. Abre os livros e soletra as histórias como se estivesse a ler.
Já faz isto tudo há muito tempo. Hoje de manhã, fui à sala e descobri, num dos 20 desenhos que faz todos os dias, uma cópia em letra minúscula. Pegou num livro e começou a copiar as letras. Estavam tão bem feitas que pensei que tivesse sido a prima Helena a escrever. Não foi. Acho que vai ter jeito para desenhar a copiar.

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Dela I

A Mariana começou a ter inglês na escola este ano lectivo. Adora. Já canta as músicas todas do cd que vinha com o livro adoptado. Tem jeito, a miúda. Sabe imensas palavras novas (já sabia contar até 10, algumas cores e outras palavras soltas) tipo: pessoas da família, cores (outras) e partes do corpo. Para além disso, costumamos fazer corridas para ver quem chega primeiro a casa. Ela diz logo:
-" Winner. Eu sou Winner. Looser, tu és looser, papá".
Um dia estávamos em casa da minha mãe:
-" Mariana, diz à tia como é que se diz amarelo em inglês."
-" Yellow."
-" Muito bem. Diz cor-se-rosa."
-" Pink."
E assim por diante.
-" Diz perdedor. Quem perde."
-" Looser."
-" Muito bem. Diz ganhador. Quem ganha."
-" Sporting."
Minha rica filha. Linda (e sim, este ano sinto-me responsável por a enganar desta forma).
(E já repetiu a façanha.)

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sexta-feira, novembro 13, 2009

Dias (mesmo) não

Ontem, depois de mais uma linda cena "típica" da educadora da Mariana, tive uma conversa com a directora da escola. Saí de lá de rastos, porque percebi que por mais que me esforce, a minha maneira de ser, não é compatível coma personalidade da educadora. E o que mais me revolta, é que o assunto até nem era directamente com a educadora, mas ela intrometeu-se e resolveu à maneira dela. E tem uma maneira tão estranha de resolver os assuntos, que me ponho a pensar que decididamente não era uma pessoa assim que queria para educar a minha filha. Custa-me especialmente porque não gosto desta sensação de estar sempre pé atrás com alguém. Não condiz comigo. Gosto de me dar bem com toda gente para não ter problemas. Eles já aparecem sem os pedirmos, quanto mais ainda os arranjarmos voluntariamente. Mas já vi que neste caso não dá. Ainda há muitos assuntos que não consegui ultrapassar.
Pois bem, depois de sair de lá, em lágrimas (que a directora foi o mais atenciosa e correcta possível, mas eu estava demasiado nervosa), liga-me a "excelentíssima" educadora a dizer que tinham feito o ventilan à Mariana, mas ela continuava com uma crise de tosse e falta de ar. E que estava muito acelerada (taquicárdica). E já tinha ido dar uma volta com ela, mas que não resolvera.
Na Segunda-feira à noite, teve uma crise vinda do nada, que acalmou como sempre, com o Ventilan. Na Terça-feira, na escola à hora de almoço, outra. Na Quarta-feira ao final da tarde teve novamente tosse, que se resolveu da mesma maneira. Apareceram-lhe também umas borbulhas na cara, como sempre que tem estas crises.
Ontem quando acordou, reparei que não reagiu tão bem ao Ventilan como costume, mas pensei que apenas demoraria mais tempo até fazer efeito (por vezes acontece). Quando a fui buscar, tossia como nunca tinha visto. Não parava mais que 2 ou 3 segundos. Liguei para a Saúde24 e fomos enviadas para o hospital. Depois de auscultada e feita a oximetria (92), fez 3 "máscaras", Rosilan e um anti-histamínico. Portou-se muito bem mas viemos para casa com uma menina ainda com muita tosse. Fui trabalhar aqui perto e ela ficou em casa da minha mãe, até o Pedro chegar. Tossiu toda a tarde, embora já respirasse melhor. À noite, custava olhar para ela. Branca como cal, e com umas olheiras fundas. Durante a noite, a tosse acalmou mas estava cada vez mais branca. Por volta das 4 da manhã, estava toda suada, e até os lábios pareciam brancos.
Por volta dessa hora também, a Matilde que esteve a mamar toda a noite, começou a ter febre (38,9º C). Já andava com uma ligeira "farfalheira" desde há dois dias.
E eu não dormi nem uma hora seguida. Depois do desgaste do dia, do trabalho e da noite, levantei-me e nem me segurava em pé.
Agora estão melhores. A Matilde já não tem febre e a Mariana já respira melhor. Vamos vendo.
Em relação à Mariana, vou dar a última oportunidade à pediatra de averiguar a situação. A médica do hospital disse-me que não podia medicá-la para prevenir estas crises porque "não conhece" a Mariana. Óbvio. Mas desde sempre que digo à pediatra que ela quando corre, tosse. E que basta mexer em qualquer coisa (pó?) que pode desencadear uma crise.
A educadora acha que é stress e que sou eu que lhe provoco essas crises (como já me chegou a dizer) e que as borbulhas que ela arranha que lhe aparecem nestas situações, são tiques. E depois pergunta-me sempre se já fui ao médico com ela. Eu já lhe respondi que sim. Ela acha que eu devia ir à pneumologista ou ao alergologista. Em relação ao primeiro, a assistente de um deles disse-me que não valia a pena vir tão nova, que ele antes de determinada idade não lhe fazia nada. A pediatra aconselhou-me também a não ir. Em relação ao alergologista, também teríamos que esperar por esta idade. E para além disso, a pediatra é que deve encaminhar. Eu já não posso ouvir a educadora a dar palpites. Mas a verdade é que a criança também não pode continuar assim. Cada vez que há frio, ou corre, ou há pó, lá vem outra crise. E é por isso que vou tentar mais uma vez, resolver com a pediatra. Se não der solução, tomo outras providências.
Mas tive muito medo, ontem. Nunca a tinha visto assim. A minha rica menina.

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quarta-feira, novembro 04, 2009

Como uma situação sem jeito nenhum, reflete o que somos (e queremos)

Quando cheguei a casa, as miúdas tinham estado a pintar com as 24 canetas (laváveis, pois claro), que costumo guardar religiosamente. E porquê? Elas têm mais canetas (todas laváveis, é claro), mas estas são melhores e estão completas. E tenho sempre o cuidado de as guardar. Para que possam ter as 24 cores quando as quiserem (claro que quando forem mais velhas quererão mais cores, mas para já chegam).
Hoje cheguei e estava o caos instalado. Já só via tampas por todo o lado, e das canetas nem rasto. Antes de deitar informei a Mariana que iríamos procurar as canetas. Não queria. Avisei-a logo do preço a pagar, se não ajudasse. Fez uma birra, bateu-me, e eu claro, tive que lhe mostrar o lugar dela. Passado um bocado veio em lágrimas pedir-me desculpa. Abracei-a, desculpei-a, mas expliquei-lhe que as canetas iriam mesmo para outros meninos que não têm nenhumas. Ela tem que perceber que cumpro mesmo, os castigos.
Claro que depois de um pouco de imaginação, achei 23 canetas e 26 tampas (tampas a mais, das tais canetas que andam todas desemparelhadas). Algumas estão dentro de brinquedos, que a Matilde acha o máximo escondê-las lá. Faltava uma caneta, que se ficasse sem tampa passaria a não escrever. Pedi ajuda ao Pedro. Claro que fingiu que a procurou, e depois quando lhe pedi novamente ajuda, recusou. Que estava cansado para procurar uma simples caneta. Pois para mim não é uma simples caneta. É uma das 24 que guardo, para que nunca falte nenhuma dessas cores. Perder uma caneta não é um drama, mas querer pintar de determinada cor e não a ter, é.
Voltei a procurar, baixando-me para olhar sob todos os móveis.
Claro que, como me custa muito baixar, porque faço mal a digestão, estou super mal disposta. Mas achei-a. Dentro do sítio onde se põem cassetes, numa aparelhagem antiga, que temos lá num canto da casa. Enfim. Grande ginástica que a Matilde faz, a esconder tudo.
Apareceu e assim, quando as minhas filhas quiserem pintar o céu, o azul claro vai estar lá, como novo.
Dizem que sou demasiado sensível. Exigente. Sou. Era uma simples caneta. Mas cresci a aprender a valorizar até as pequenas coisas. Seria mais fácil comprar outra caixa de canetas. Quaisquer 5 euros chegariam. Pois. Seria. Mas eu não estrago. Pelo menos, conscientemente.
Entre outras coisas, o meio ambiente agradece.
E a Mariana, enquanto lhe desejava boa noite, pediu-me:
-"Mamã, as canetas que vais dar aos meninos que não têm, podes tirar uma para mim?"
Expliquei-lhe que logo se veria. Que lhe tinha explicado bem qual era o castigo. Assentiu. E partiu-me o coração. Queria dizer-lhe que podia ficar com todas, mas isso seria o mais fácil. E educar nunca o foi. (E já agora, tenho que aproveitar para educar o pai também, que pelos vistos, prefere estragar a cansar-se).
Uma das coisas que se falou na reunião da escola dela, foi que este ano, cada um tem a sua caixa de lápis de cor. Para aprenderem a tomar conta das suas coisas. Se perderem algum, deixarão de ter aquela cor. E é essa responsabilidade que lhes pretendo incutir. Mas ajudando, pois claro.

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segunda-feira, novembro 02, 2009

Das birras dos 4 anos

A miúda deixa-me orgulhosa, claro. Mas leva-me também aos píncaros do desespero, quando faz birras como nunca fez. Sempre para comer. Que não quer, que não gosta. E pior que isso, é que depois acaba por comer bem. Só para nos irritar. E não é que consegue?
(Anda assim há umas semanas, desde que deixou novamente de dormir a sesta. Mas para quem andou tanto tempo sem fazer uma única birra.)

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