Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Saídas dela

As duas a chamarem por mim, antes de eu chegar a casa:
-"Mamã, mamã".- diz a mais pequena.
-"Mamã, mamã. Ai esta rapariga..."- diz a Mariana.

Em casa da avó, eu a trabalhar a kms de distância e ela:
-"Mamã. Vem cá Patrícia. Tu não me ouves, Patrícia?"

-"Quem é que pôs o dedo no mousse?"- pergunta a tia.
A Mariana com o dedo no ar e a olhar para ele de todos os lados, como quem procura vestígios:
-"Eu não."
Ah pois não. Lá ela era capaz...

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Lembram-se de cada uma

Bom, bom, é saber pela comunicação social que pela minha profissão, fui uma boa escolha para o meu marido para casar. Parece que tenho uma das 3 profissões em que as pessoas menos se divorciam. Muito mais descansada (Oh God. É que só pode ser, por termos que passar por tanta coisa na profissão, que aturar o marido é só mais uma...)

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Só quer letras e números

-"Mamã, já sei escrever Rita. É um R, um I, um T e um A. E a outra Rita tem um A antes ."(estava a falar da amiga Ana Rita)
Gosta de adivinhar como se escrevem as palavras através dos sons. Sabe que o som "a" e "á" corresponde à mesma letra. Tal como o "re" e o "rre". No outro dia queria escrever a carta ao Natal, e o Pedro foi ditando umas letras e às vezes alguns sons. Saiu isto:
Maquina futugrafica (eheheh. O som "u", ela não sabe que se escreve "o".)
Conhece quase todas as letras minúsculas.
Ontem queria fazer as actividades dos livros da prima. Oh God.

CLS, ela também gosta muito de números e "contas". Hoje:
-" Mamã, quando eu tiver 11 anos, a Matilde vai fazer 8."
Adora fazer este jogo. Está sempre a dizer que quando tiver "x" anos, a irmã vai fazer "y".
Sabe os números que vêm antes e depois. Faz contas pequenas.

É por isto que tentamos que tenha bastantes actividades extracurriculares, dentro do horário lectivo, claro. Senão passava o tempo todo a fazer contas, desenhos e letras.

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Já que inglês não podia ser...

A Mariana costuma ver Rucas do Youtube no computador. Ela é que os vai mudando consoante vão terminando. Um dia destes estava a ver uns episódios e chamou-nos. O Pedro percebeu que estava a dar um Ruca hardcore, daqueles que dizia asneirolas cada uma pior que a outra. Ela muito aflita:
-"Papá, vem cá que este Ruca está a falar francês."

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Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Duro

As pessoas olham para nós enquanto nos ouvem falar das doenças dos nossos filhos, do cansaço do trabalho, das dificuldades dos cursos e nem imaginam o que mais se pode estar a passar nas nossas vidas. Acordar de manhã, ir estudar, trabalhar, e continuar rotinas, depois de certas provações pode ser muito duro. Estes dias têm sido muito duros.

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Cúmulo

Perguntarem-me se as minhas filhas já estão melhores e eu ter que perguntar o que tinham dessa vez e quando foi essa doença. A Matilde, depois de ter tomado duas vezes antibiótico no último mês, está doente desde a semana passada.

E eu, depois de uns problemazitos que não me deixaram dormir desde quarta-feira dia 2, tenho acordado às 3 e tal, porque ela tem febre sempre por volta dessa hora. Só volto a adormecer (e não é descansada, claro) por volta das 5 e tal. Trago uma dor de cabeça de estimação e um cansaço ultra. Amanhã, para acabar com o resto, levanto-me cedo para trabalhar longe.
Preciso MESMO de dormir.

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Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

Decisão (por agora)

Ponderei trancar esta porta. Cheguei mesmo a fazê-lo estes dias. Sem aviso prévio. Porque os acontecimentos também não avisam. Achei que estava mais segura assim. Depois de ponderar prós e contras, percebi que tinha que me soltar novamente. Abrir as portas. Continuar na minha vidinha.
Pensar em perigo quando falamos em blogs não privatizados é o mesmo que pensar na cadeira eléctrica quando falamos em electricidade (e esta frase é conhecida, mas eu não sei quem a disse).

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Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Obrigada I.

Por nos trazeres o Natal, hoje. Pelos sorrisos que nos arrancaste. Pela esperança em dias melhores.
Como dizias, a amizade não se agradece, mas vive-se.

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Domingo, Dezembro 06, 2009

Dos últimos dias

A maldade das pessoas não tem limite. Quero acreditar que essas mesmas pessoas não passam impunes.

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Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Porque a pequena também tem direito

Depois da noite de 12 para 13 de Novembro, voltou a ter febre à tardinha. Começou a subir até aos 39,5ºC e foi difícil baixá-la. No dia seguinte tivémos um baptizado (da priminha M.) e ela esteve sub-febril e muito murchinha. No domingo estava um pouco melhor, mas à noite chorou muito porque eu não lhe quis dar mais mama, e ela esteve com uns roncos horríveis. Passei a noite a auscultá-la e ainda cheguei a ligar para a Saúde 24. Disseram-me que devia ir ao hospital num prazo de 4 horas. Mas eu fiz-lhe o Ventilan e fui gerindo a situação . Na segunda estava bem. Na Terça-feira teve tosse na escola depois de se levantar da sesta. Fizeram-lhe o Ventilan e ficou bem.
Na quarta-feira, o mesmo. Em casa esteve sempre bem. Na quinta-feira ligaram-me a dizer que já lhe tinham feito o Ventilan de manhã à tarde. Que estava com dificuldade em respirar. A minha irmã foi buscá-la. Estava prostrada e sub-febril. Depois de a auscultar, percebi que não era dificuldade em respirar, mas sim, a expectoração que a incomodava. Começou a ter febre, uma semana depois de ter tido. Liguei para a saúde 24 (sou uma cliente assídua) e lá fomos ao hospital. Era uma otite e veio de lá com o segundo antibiótico, 15 dias depois (vá lá, que não era igual). O médico que a atendeu, era o mesmo que tinha atendido a Mariana e ficou a olhar para mim, tipo:"Eu conheço-te". Era um bocado estranho, ele.
Ficou logo melhor. Passados 2 ou 3 dias parecia outra (e eu noto logo quando já quer comer e nunca chora).
Há uns dias começou com ranhito verde e hoje quando acordou tossiu uma ou duas vezes. Já chega de vírus e bactérias cá por casa, ok?

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O maior susto

Depois da crise que teve dia 13 de Novembro, a Mariana ficou melhor. Andou um ou dois dias até recuperar totalmente, como costume. Passou essa semana, e na semana seguinte teve tosse um ou dois dias em momentos isolados, mas nada de especial. Na sexta-feira (27), veio com tosse da escola. Fomos a um aniversário à noite e ela esteve sempre com aquela tosse irritativa. De repente começou com uma tosse funda, estridente. Auscultei-a e estava péssima. Fomos directamente ao hospital, que estávamos perto e nem liguei para a linha saúde 24, como costumo fazer. Não havia tempo. Fizeram-lhe o Salbutamol. O turno médico mudou entretanto, e quem a observou depois, foi uma pediatra nova e muito competente. Auscultou-a entre cada "máscara" e estava super atenta. Como a situação estava complicada, fez-lhe adrenalina também. Apanhei o susto maior, desde que sou mãe. Viemos para casa já de madrugada, com a Mariana medicada com o Rosilan novamente e com uma consulta de asma marcada. Pela médica que embora seja ainda nova, não se preocupou de passar "por cima" da opinião da pediatra da minha filha. Durante a madrugada, eu nem conseguia adormecer tal era o estado de nervos. Ela ainda não estava nada bem mas precisava de descansar. Dormiu mal também. Connosco, para estarmos sempre alerta. No Domingo à noite, quem a visse não diria que tinha tido aquela crise. Ficou bem. Na segunda de manhã marquei uma consulta com uma pneumologista, que por sorte (de alguém ter desmarcado), consegui nesse mesmo dia.

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Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Da árvores de Natal

Este anos adiantámo-nos e fizemos a árvore de Natal uns dias antes de dia 1. A Mariana adorou. Eu tinha-lhe dito que ainda faríamos uma outra árvore para ela e para a irmã, com bolas diferentes. Como recebi o catálogo da Imaginarium com uma caixa de bolas muito giras, pensei ir lá comprar. Passei lá antes da promoção terminar, mas estava indecisa em relação ao brinquedo que iríamos dar à Mariana. A senhora da loja disse-me que fosse pensar, que ainda havia muitas caixas com as bolas de Natal e que iam estender a promoção para os primeiros dias de Dezembro. Ontem, quando voltei lá com o Pedro, já tinham terminado a promoção. Que afinal eram para receber mais e não tinham recebido. Fiquei zangada. Alguém conhece uma Imaginarium que ainda tenha essa promoção? Obrigada.

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Quarta-feira, Novembro 25, 2009

8 anos



Sábado, uma princesinha completou 8 aninhos. A minha sobrinha Helena, que vi nascer. Que tantas vezes embalei ao colo. Cresceu. É uma menina alegre, cheia de vida. Que amo incondicionalmente. Como se tivesse nascido de mim. A minha princesa grande.
Parabéns amor. A tia Polha, ama-te demais.

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Acerca dos posts "Dias (mesmo) não" e "5 anos"

Li com atenção, todos os comentários mas queria agradecer a cada uma de vós que se preocuparam connosco.
Mamã etc e tal:
Não, ela não faz mais nada a não ser o Ventilan em SOS. Obrigada.
Mamã e tesourinhos:
Se pudesses dar-me o contacto, agradecia. Obrigada por tudo.
Rosana:
Muito obrigada pelo testemunho e pelo carinho.
aPimenta:
Muito obrigada. Vou seguir o conselho.
Lúcia:
Obrigada mais uma vez.
Célia Rodrigues:
És a Célinha? Muito obrigada pelo apoio.
Coisascomgosto:
Obrigada pelo testemunho.


Em relação ao post dos 5 anos. Obrigada a todas pelo incentivo:
Sílvia, Pat, Mel Chocolatinho, Lígia, Maria, SCAS, ccoimbra, Mãe Cat, Helena e mamã Diana.
(Helena, eu não consigo entrar no teu cantinho...)

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Fotos delas

As fotos que elas tiraram na escola estão lindas. Principalmente a última invenção, o álbum de irmãos (fazem de tudo para nos levar à ruína).

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Afinal ainda havia esperança

Dois anos depois (ou mais), finalmente temos pão caseiro e de brioche em cima da tábua de pão. Feito pela máquina cá de casa. O papá Pedro conseguiu. Yeahhh. Bonito e sabem que mais? Comestível. Delicioso, até. (Já não havia paciência para as tentativas falhadas).

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Dela II- para não me esquecer

Está na fase das letras, já há uns meses. Sabe escrever de cor palavras tipo mamã, papá, Mariana, Sara, Matilde e Gabriel. Consequentemente sabe lê-las. É giro poder jogar jogos com ela, em que lê essas palavras. A primeira vez que a vi "ler" a palavra mamã arrepiei-me. Como quando as ouvimos dizer pela primeira vez, mamã.
Os desenhos estão sempre cheios de letras, pelo meio. Assina-os e depois ainda escreve Sara e Gabriel. É perfeccionista e acha sempre que ainda não estão bem escritos. Treina imenso. Zanga-se connosco quando tentamos que brinque sem ser com letras. Abre os livros e soletra as histórias como se estivesse a ler.
Já faz isto tudo há muito tempo. Hoje de manhã, fui à sala e descobri, num dos 20 desenhos que faz todos os dias, uma cópia em letra minúscula. Pegou num livro e começou a copiar as letras. Estavam tão bem feitas que pensei que tivesse sido a prima Helena a escrever. Não foi. Acho que vai ter jeito para desenhar a copiar.

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Dela I

A Mariana começou a ter inglês na escola este ano lectivo. Adora. Já canta as músicas todas do cd que vinha com o livro adoptado. Tem jeito, a miúda. Sabe imensas palavras novas (já sabia contar até 10, algumas cores e outras palavras soltas) tipo: pessoas da família, cores (outras) e partes do corpo. Para além disso, costumamos fazer corridas para ver quem chega primeiro a casa. Ela diz logo:
-" Winner. Eu sou Winner. Looser, tu és looser, papá".
Um dia estávamos em casa da minha mãe:
-" Mariana, diz à tia como é que se diz amarelo em inglês."
-" Yellow."
-" Muito bem. Diz cor-se-rosa."
-" Pink."
E assim por diante.
-" Diz perdedor. Quem perde."
-" Looser."
-" Muito bem. Diz ganhador. Quem ganha."
-" Sporting."
Minha rica filha. Linda (e sim, este ano sinto-me responsável por a enganar desta forma).
(E já repetiu a façanha.)

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Terça-feira, Novembro 24, 2009

Pensamentos

Às vezes nos meus momentos mais lúcidos, pergunto-me para onde corro eu...

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Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Só para ti mori

Sabes o que comemoramos hoje? Sabes? Depois ligo-te em directo, para "assistires". Só para ti mori.

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Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Cinco anos

Dia 13, Sexta-feira, este blog fez 5 anos. Embora não tenha sido começado por mim (e eu nessa altura desconfiasse um bocado da sua utilidade), sinto-o como meu. Tenho "roubado" muito tempo do meu sono ou descanso, para poder ir colorindo cada "página", com a nossa história. Com vários objectivos secundários, mas com o principal sempre em mente. Um dia as minhas filhas poderão saber um pouco mais sobre os nossos dias. Da nossa família. Como cresceram. E quanto as amamos.
Já fizemos muitas amizades por aqui. Acompanhámos muitos que já partiram deste mundo virtual, outros tantos que privatizaram e a quem perdemos o rasto. Muitos que fugiram para o Facebook, outros tantos que se mantêm. Como na vida real, lamentamos perder o rasto a uns, agradecemos poder contar com outros. Mas confesso que em muitos dias, me sinto desiludida, por a maior parte de quem nos fez ficar, ter já partido. No entanto, cinco anos, dois mil quinhentos e tal posts, mais de duzentos e trinta mil visitas, continuamos com a mesma vontade. Pelo mesmo objectivo. (Por enquanto) estamos para ficar.
Obrigada a quem nos acompanha, aconselha, levanta e sorri connosco. Sem vocês não teria o mesmo sentido.

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Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Dias (mesmo) não

Ontem, depois de mais uma linda cena "típica" da educadora da Mariana, tive uma conversa com a directora da escola. Saí de lá de rastos, porque percebi que por mais que me esforce, a minha maneira de ser, não é compatível coma personalidade da educadora. E o que mais me revolta, é que o assunto até nem era directamente com a educadora, mas ela intrometeu-se e resolveu à maneira dela. E tem uma maneira tão estranha de resolver os assuntos, que me ponho a pensar que decididamente não era uma pessoa assim que queria para educar a minha filha. Custa-me especialmente porque não gosto desta sensação de estar sempre pé atrás com alguém. Não condiz comigo. Gosto de me dar bem com toda gente para não ter problemas. Eles já aparecem sem os pedirmos, quanto mais ainda os arranjarmos voluntariamente. Mas já vi que neste caso não dá. Ainda há muitos assuntos que não consegui ultrapassar.
Pois bem, depois de sair de lá, em lágrimas (que a directora foi o mais atenciosa e correcta possível, mas eu estava demasiado nervosa), liga-me a "excelentíssima" educadora a dizer que tinham feito o ventilan à Mariana, mas ela continuava com uma crise de tosse e falta de ar. E que estava muito acelerada (taquicárdica). E já tinha ido dar uma volta com ela, mas que não resolvera.
Na Segunda-feira à noite, teve uma crise vinda do nada, que acalmou como sempre, com o Ventilan. Na Terça-feira, na escola à hora de almoço, outra. Na Quarta-feira ao final da tarde teve novamente tosse, que se resolveu da mesma maneira. Apareceram-lhe também umas borbulhas na cara, como sempre que tem estas crises.
Ontem quando acordou, reparei que não reagiu tão bem ao Ventilan como costume, mas pensei que apenas demoraria mais tempo até fazer efeito (por vezes acontece). Quando a fui buscar, tossia como nunca tinha visto. Não parava mais que 2 ou 3 segundos. Liguei para a Saúde24 e fomos enviadas para o hospital. Depois de auscultada e feita a oximetria (92), fez 3 "máscaras", Rosilan e um anti-histamínico. Portou-se muito bem mas viemos para casa com uma menina ainda com muita tosse. Fui trabalhar aqui perto e ela ficou em casa da minha mãe, até o Pedro chegar. Tossiu toda a tarde, embora já respirasse melhor. À noite, custava olhar para ela. Branca como cal, e com umas olheiras fundas. Durante a noite, a tosse acalmou mas estava cada vez mais branca. Por volta das 4 da manhã, estava toda suada, e até os lábios pareciam brancos.
Por volta dessa hora também, a Matilde que esteve a mamar toda a noite, começou a ter febre (38,9º C). Já andava com uma ligeira "farfalheira" desde há dois dias.
E eu não dormi nem uma hora seguida. Depois do desgaste do dia, do trabalho e da noite, levantei-me e nem me segurava em pé.
Agora estão melhores. A Matilde já não tem febre e a Mariana já respira melhor. Vamos vendo.
Em relação à Mariana, vou dar a última oportunidade à pediatra de averiguar a situação. A médica do hospital disse-me que não podia medicá-la para prevenir estas crises porque "não conhece" a Mariana. Óbvio. Mas desde sempre que digo à pediatra que ela quando corre, tosse. E que basta mexer em qualquer coisa (pó?) que pode desencadear uma crise.
A educadora acha que é stress e que sou eu que lhe provoco essas crises (como já me chegou a dizer) e que as borbulhas que ela arranha que lhe aparecem nestas situações, são tiques. E depois pergunta-me sempre se já fui ao médico com ela. Eu já lhe respondi que sim. Ela acha que eu devia ir à pneumologista ou ao alergologista. Em relação ao primeiro, a assistente de um deles disse-me que não valia a pena vir tão nova, que ele antes de determinada idade não lhe fazia nada. A pediatra aconselhou-me também a não ir. Em relação ao alergologista, também teríamos que esperar por esta idade. E para além disso, a pediatra é que deve encaminhar. Eu já não posso ouvir a educadora a dar palpites. Mas a verdade é que a criança também não pode continuar assim. Cada vez que há frio, ou corre, ou há pó, lá vem outra crise. E é por isso que vou tentar mais uma vez, resolver com a pediatra. Se não der solução, tomo outras providências.
Mas tive muito medo, ontem. Nunca a tinha visto assim. A minha rica menina.

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Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Os dias

Gosto muito de comer pão com fiambre, este último cortado muito fininho e fresco. Gosto. Principalmente no tempo frio. E de castanhas e batata doce. De chegar cedo a casa e vestir-me quentinha. Das canções e do espírito natalício. Dos cheiros dessa época. E tudo isto, serve para me esquecer que adoro os finais de dias quentes e solarengos. E em vez de me lamentar por o Verão já ter passado, prefiro pensar no que gosto desta estação. E pensar que em breve outro Verão estará à porta. E só isto diz muito sobre mim e da forma como encaro a minha vida.

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Terça-feira, Novembro 10, 2009

"É que a miúda é mesmo gira" ou " Como é que se põe em versão mais lenta?"

Eu, a vestir a Mariana:
-" Mariana, sabes do teus sapatos?"
-" Não sei"- respondeu.
-" Chei (sei). Ápatas mana (Sapatos da mana)"- diz a mais pequena, enquanto me dava as pantufas da irmã.
Oh God. A piolha tem 16 meses. Não esquecer.

-" Mariana dá a peça amarela à mamã."
- "Amaiela".
Andou toda a noite a chamar amarela à peça amarela e à azul.
Um must.

Hoje:
-" Matilde, a mamã vai a pôr-te o creme na cara".
-" Téta (testa)."
Pega no creme, já tapado:
-" Póta (porta, que significa tampa). Tia (Tira)."
Agarrou-o, pôs mais um pouco na cara e depois comeu mais um bocado.
(É que nem vale a pena chatear-me, que ela arranja sempre maneira de comer tudo).
Foi abraçada ao creme para a escola. Ai de quem lho tentasse tirar ou pôr a tampa.
(Esta vai dar-me tanto trabalhinho.)

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Domingo, Novembro 08, 2009

16 meses

Desafiadora, teimosa, faladora, charmosa, alegre, enérgica, linda e feliz.
Amo-te muito, princesa "papagaia".

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Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Como uma situação sem jeito nenhum, reflete o que somos (e queremos)

Quando cheguei a casa, as miúdas tinham estado a pintar com as 24 canetas (laváveis, pois claro), que costumo guardar religiosamente. E porquê? Elas têm mais canetas (todas laváveis, é claro), mas estas são melhores e estão completas. E tenho sempre o cuidado de as guardar. Para que possam ter as 24 cores quando as quiserem (claro que quando forem mais velhas quererão mais cores, mas para já chegam).
Hoje cheguei e estava o caos instalado. Já só via tampas por todo o lado, e das canetas nem rasto. Antes de deitar informei a Mariana que iríamos procurar as canetas. Não queria. Avisei-a logo do preço a pagar, se não ajudasse. Fez uma birra, bateu-me, e eu claro, tive que lhe mostrar o lugar dela. Passado um bocado veio em lágrimas pedir-me desculpa. Abracei-a, desculpei-a, mas expliquei-lhe que as canetas iriam mesmo para outros meninos que não têm nenhumas. Ela tem que perceber que cumpro mesmo, os castigos.
Claro que depois de um pouco de imaginação, achei 23 canetas e 26 tampas (tampas a mais, das tais canetas que andam todas desemparelhadas). Algumas estão dentro de brinquedos, que a Matilde acha o máximo escondê-las lá. Faltava uma caneta, que se ficasse sem tampa passaria a não escrever. Pedi ajuda ao Pedro. Claro que fingiu que a procurou, e depois quando lhe pedi novamente ajuda, recusou. Que estava cansado para procurar uma simples caneta. Pois para mim não é uma simples caneta. É uma das 24 que guardo, para que nunca falte nenhuma dessas cores. Perder uma caneta não é um drama, mas querer pintar de determinada cor e não a ter, é.
Voltei a procurar, baixando-me para olhar sob todos os móveis.
Claro que, como me custa muito baixar, porque faço mal a digestão, estou super mal disposta. Mas achei-a. Dentro do sítio onde se põem cassetes, numa aparelhagem antiga, que temos lá num canto da casa. Enfim. Grande ginástica que a Matilde faz, a esconder tudo.
Apareceu e assim, quando as minhas filhas quiserem pintar o céu, o azul claro vai estar lá, como novo.
Dizem que sou demasiado sensível. Exigente. Sou. Era uma simples caneta. Mas cresci a aprender a valorizar até as pequenas coisas. Seria mais fácil comprar outra caixa de canetas. Quaisquer 5 euros chegariam. Pois. Seria. Mas eu não estrago. Pelo menos, conscientemente.
Entre outras coisas, o meio ambiente agradece.
E a Mariana, enquanto lhe desejava boa noite, pediu-me:
-"Mamã, as canetas que vais dar aos meninos que não têm, podes tirar uma para mim?"
Expliquei-lhe que logo se veria. Que lhe tinha explicado bem qual era o castigo. Assentiu. E partiu-me o coração. Queria dizer-lhe que podia ficar com todas, mas isso seria o mais fácil. E educar nunca o foi. (E já agora, tenho que aproveitar para educar o pai também, que pelos vistos, prefere estragar a cansar-se).
Uma das coisas que se falou na reunião da escola dela, foi que este ano, cada um tem a sua caixa de lápis de cor. Para aprenderem a tomar conta das suas coisas. Se perderem algum, deixarão de ter aquela cor. E é essa responsabilidade que lhes pretendo incutir. Mas ajudando, pois claro.

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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Das birras dos 4 anos

A miúda deixa-me orgulhosa, claro. Mas leva-me também aos píncaros do desespero, quando faz birras como nunca fez. Sempre para comer. Que não quer, que não gosta. E pior que isso, é que depois acaba por comer bem. Só para nos irritar. E não é que consegue?
(Anda assim há umas semanas, desde que deixou novamente de dormir a sesta. Mas para quem andou tanto tempo sem fazer uma única birra.)

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A melhor amiga

A Mariana já tem uma melhor amiga (e um melhor amigo). Fala neles a toda a hora. Inclui-os na família. A Sarinha e o Grabriel, como ela diz. Mas principalmente a Sara. Os desenhos que antes eram assinados por Mariana, têm agora Sara, escrito por todo o lado. Com um "S" perfeito. E quando lhe pergunto, o que escreveu, responde sem hesitar: Sara. Ensina a amiga a escrever o próprio nome (visto que ela só vai fazer 4 anos em Dezembro). Anda a treinar a escrever Gabriel. Mas ainda só a copiar.
Já me tinha dito que a Sara era muito amiga. Ontem perguntei-lhe se tinha melhor amiga. Respondeu-me com um ar indignado:
-Mamã, eu sou amiga de todos.
Orgulhosa. Pela primeira melhor amiga. Porque cresceu. Pela forma como parece respeitar já a amizade. A minha pequena. E eu dou por mim a gostar tanto da outra miúda. Afinal é a melhor amiga da minha filha. Que partilha com ela sorrisos, brincadeiras, momentos.

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Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Consulta 15 meses e final da noite

Na segunda-feira, fomos à pediatra com a Matilde. Consulta dos 15 meses. Até correu bem. Só choramingou um bocadito. Subiu no percentil da altura, desceu ligeiramente no peso. As últimas semanas em que andou doente, não devem ter ajudado. A Dra achou que a expectoração que tem tido, seria fruto de uma adenoidite, e prescreveu-lhe antibiótico.
A Mariana ficou na sala de espera a brincar e depois foi lá ter à consulta, como costume. Começou por dizer que tinha fome e cocó. A Dra estava ao telefone com a mãe dum miúdo que supostamente tinha gripe A. Ele estava a tomar o Tamiflu, mas não lhe tinham feito zaragatoa. E a conversa continuava. A miúda, que anteriormente apenas dizia que tinha fome e cocó, passou ao plano B: berrar. E eu a tentar acalmá-la. O Pedro a dizer para a ignorar. Tentei. Até ela passar ao plano C: espojar-se no chão. Eu a tentar controlá-la, e ela tipo touro enraivecido, em frente a um toureiro a acenar um pano de cor berrante. Apeteceu-me espancá-la. Sim, porque às vezes apetece-me calar as lindas boquinhas, das minhas (ainda mais lindas) filhas com palmadas. E berrar mais que elas. Mas pronto. Antes da consulta terminar, ainda foi preciso auscultar a Mariana e ver-lhe a garganta, para ver se levava o mesmo tratamento da irmã. Deixou auscultar mas para abrir a boca, foi voluntária à força. Saiu de lá a chorar a dizer que eu a tinha magoado nos dentes. E eu com uns nervos.
Passámos à farmácia e ao supermercado. Quando chegámos a casa vestimos os (4) aventais e a Matilde começou logo: "Uaaau". A Mariana já recomposta da birra, que entretanto já tinha comido na viagem, ajudou a fazer o jantar e estava felicíssima. A Matilde foi ao frigorífico, abriu-o, escolheu um iogurte dos dela, abriu a tampa, e enquanto o segurava com a mão esquerda, comia com dois deditos da mão direita. Até eu lhe oferecer uma colher (assim já não tinha piada). Continuou a fazer disparates (mas o raio da miúda tem piada, mesmo com tanto disparate junto). Eu tentei ajudar o Pedro, que se esmerou, mais uma vez com o jantar. No final da refeição, ainda brincámos e lemos uma história. Vi as horas pela última vez às 22.21 h. Há muito tempo que não me deitava tão cedo. Tudo está bem quando acaba bem.

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Diferença delas

Aos 15 meses, dar um antibiótico à Mariana, era um caos. Berrava, fugia, não queria.
A Matilde está a tomar antibiótico. Bebe aquilo como se fosse sumo. No fim, fica a pedir:
-"Máies. Máies."- enquanto choraminga ofendida por só poder beber aquele bocadito.

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Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Tal pai, tal filho

No sábado, vesti um vestido assim mais para o curto. Quando fui a casa dos meus sogros e tinha um fio da meia puxado e o meu sogro reparou:
-" Olha o que tens na meia."- e tocou lá com o dedo.
Eu, que tenho uma relação muito boa com o meu sogro:
-" Faz de tudo para me agarrar as pernas."
Ele:
-" Sabes, é que hoje estás muito sexy (ele disse sexe, mas para o caso também não interessa nada)."
Pelo menos, quando o Pedro não quiser saber mais de mim, já tenho alternativa. Eheheh.

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Terça-feira, Outubro 27, 2009

Estás forte, estás

Ando sempre sem dinheiro. À terça-feira preciso sempre de um euro e pouco, para pôr no estacionamento do sítio onde trabalho. Recorro sempre ao Pedro. Hoje, quando lhe pedi umas moedas, ele:
-" Se melhorares o teu desempenho, talvez para a semana recebas mais."- enquanto se ria.
Tão engraçadinho, logo pela manhã.

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Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Dos dias

São 17 horas e vou almoçar agora. Ontem tive novamente uma hipoglicémia, e lá fui ao centro de saúde dar mais o prejuízo de uma garrafa de soro, ao Sócrates. Levantei-me rapidamente e fui trabalhar, que o avanço do país, não se compadece com cheliques de gajas com o "açúcar" baixo.
Estou igual. Aparentemente bem, até à próxima vez. Depois da sra enfermeira me ter diagnosticado uma depressão, porque "de certeza que não anda a dormir bem". E da médica me ter dado, para além do soro para repôr os níveis de glicémia, meio diazepam. Que me foi colocado debaixo da língua e rapidamente tirado (pelas minhas belas mãos) antes que me drogassem para o resto do dia. Depois não teria outro remédio senão dar contas ao país, porque é que uma pessoa com tão bom corpo para trabalhar, não o tinha feito a uma quinta-feira.
Passadas umas horas, a tal enfermeira do diagnóstico, veio perguntar-me como me sentia. Se estava mais feliz. Fiquei embasbacada a olhar para ela. E a pensar se lhe responderia:-" Feliz? Claro. Com uma garrafa de soro que me refrescou as veias. Quem não se sentiria?"
Depois lembrei-me do tal diazepam que "acalmou o meu bolso" e respondi-lhe com o ar mais feliz que consegui:
-" Sim, já estou muito melhor."
Aparentemente convenci-a. Saiu com um ar radiante.

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Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Começa a ficar repetitivo...

mas a pequena fala mesmo que se desunha. E eu não quero esquecer-me desta fase, nunca.
Hoje, viu o despenseiro das especiarias aberto:
-"Maiê, checha (mãe fecha)- enquanto ia tentando fechar.

Temos dois Noddys iguais. Ela:
- "Qué gáis (queros os iguais)"- apontando.

Vai buscar o creme e pede-me "quéma" (creme), os óculos "ócas" e o "péu" (chapéu) e diz, com um ar de charme:- "Uaaau".

Vai buscar um papel, pede a caneta (não me lembro como) e diz:-" Exqué (escreve)."

Põe os sapatos (apátas) ao pé do meu nariz e diz: -"Cheia (cheira)", enquanto ri muito e vai dizendo "buuu" (tipo, que cheiro mau). Também faz o mesmo com as toalhitas. Diz "Tem cócó" e dá-me as toalhitas para cheirar.

É ciumenta. Nós, eu e o papá Pedro agarradinhos, e ela em direcção a nós:
-" Panha. Cóio. Mainhé minha (Apanha/agarra-me. Cólo. A mãe é minha).

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Pensamentos

A pequena já foi à escola hoje. Ontem já estava melhor, mas não foi porque se não recuperar totalmente antes de voltar à escola, é certo e sabido que passados uns dias, volta a estar doente. De manhã foi comigo para o trabalho e portou-se bem. À tarde ficou em casa da minha mãe.
Hoje vesti-as de igual (estavam tão giras!) e tirei-lhes umas fotos. Na escola vão tirar-lhes mais (isto todos uns meses tem que haver uns extras...) e nós como não temos muito tempo para ir para o fotógrafo com elas, aproveitámos para fazer um pequeno book, a preço em conta. Vamos ver se fica bonito.
A Mariana ia toda orgulhosa porque adora ver a irmã igual a ela. A Matilde fazia pose para a fotografia, como se percebesse. Eu confesso que sempre sonhei com isto. Ter duas filhas e vesti-las de igual. Gosto tanto. E nem a opinião de algumas pessoas que acham uma piroseira, me faz mudar de ideias. Gosto mesmo. Tanto, que sempre sonhei com poder fazer isso. Porque também nós as três, em épocas especiais, andávamos vestidas de igual. E eu adorava. E com as minhas filhas, até elas me deixarem, também vai ser assim.
(O Pedro no outro dia falou-me num contra de fazer isto: a Matilde vai usar roupa igual durante três ou quatro anos. Se for uma saia que vista, por ex., durante dois anos, e se a saia da irmã lhe der para mais dois anos, vai vestir a "mesma" saia, quatro anos. O.K. há-de arranjar-se solução para não parecer que a cachopa usa sempre a mesma roupa. Colocar adereços diferentes ou coser qualquer efeito para modificar a peça. Amor, tu sabes que desta cabecinha sai sempre uma solução. Tu pensas nos problemas, eu resolvo-os. Somos ou não, uma dupla imbatível? ;))

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Do Outono

Já tinha feito as pazes com o Outono. Os últimos dias no Algarve, que nos permitiram ter sol praia e piscina, permitiram que visse o Verão partir, sem ficar nostálgica. Confesso que até já estava mentalizada para este tempinho, e a pensar nas roupas que posso vestir às miúdas, nas batatas doces e nas castanhas. Gosto desta altura do ano também pelo dia do bolinho e por se aproximar o Natal, que adoro. Mas não havia necessidade deste frio. E sim, já tenho botas calçadas e só não visto o sobretudo porque tenho vergonha. Já não me lembrava que não suporto frio e que ter os pés gelados é uma sensação muito desagradável.

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Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Hoje

A noite foi passada quase em claro para não deixar a febre das pequenas subir e por causa da ansiedade. O facto de ter de ficar em jejum pelo menos até às 10 horas e o desconhecido do exame, deixaram-me apreensiva. Claro que o resultado do exame também me preocupava.
Logo pela manhã a mais velha exigiu ir à escola e como não tinha febre nem tosse, acedi. A mais nova foi para casa da minha mãe.
Lá fui fazer o exame e como ia tão stressada, nem foi assim tão mau. Endoscopia alta. O nome diz tudo. As auxiliares foram excelentes e o médico também. Não é confortável aquele gel que sabe mal e não deve ser engolido. Não é confortável aquele tubo enorme e que liberta gás no estômago, principalmente para quem tem vómitos como eu. Mas parece que me portei bem. Pelo menos esforcei-me. Pensei que se já tive duas filhas, também não era aquilo que me ia matar. Concentrei-me na respiração e no que me diziam. Atenta também ao que se passava, claro. Parece que tenho as entranhas finas, entre outras coisas. E que por isso não faço bem a digestão. E a dor será do estilo de vida e alguns alimentos. Mas tenho de ir à consulta para tentar resolver a questão.
O resto do dia estive bem, tirando a sensação que o tubo ainda estava lá. Agora à noite, tenho uma ligeira dor a engolir. Dói-me também o pescoço atrás. Nada que não se aguente. Estou ainda mais mal disposta que antes, mas também deve ser normal. Mas estou principalmente aliviada.
(Obrigada Jane e quem se preocupou comigo.)

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Cá por casa

É uma da manhã e eu não tenho sono. Estou stressada. Amanhã vou fazer o dito exame e já sinto aquela sensação de borboletas na barriga.
A pequena teve ranho na quinta, tosse na sexta de manhã e à tarde ligaram do infantário porque estava sub-febril. À noite com 38,2ºC, abriu a época do Ben-u-ron e do Ventilan e durante o dia de sábado esteve apenas com a respiração mais pesada. À noite voltou a precisar de antipirético, tal como hoje de manhã. Hoje à tardinha voltou aos 38 e tal e agora já parece mais calma. Dorme sossegadinha.
A mais velha começou com tosse à tarde e os 37,2º C foram subindo até aos 38,1º C e teve que iniciar o ben-u-ron também. Já não me lembrava da última vez que tinha precisado dele. Está a dormir sossegada mas ainda um pouco quentinha.
Nunca tinham estado doentes as duas ao mesmo tempo e "escolheram" um dia muito mau. Mas amanhã é outro dia. E está aberta a época dos vírus.

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Domingo, Outubro 18, 2009

Da fala dela III

Pois Ianita, tens razão. E aponta para a minha irmã e diz:"Báca" (vaca).
Ups.

E hoje:
-"Sai mãe. Sai mãe."- Assim. Perfeitinho. Só porque eu estava à frente dela. (E a cachopa não sabe que cá por casa não é mãe? É mamã.)

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Quinta-feira, Outubro 15, 2009

A "piquinita" e a fala

Pegou no livro dos animais e apontou para o "pápáto" (macaco), "báca" (vaca) e "mé-mé". A seguir imitou "pópótame" (hipopótamo) e lão (leão). O Pedro diz que ela imita muito bem os sons (ainda no outro dia imitou um "ninguém" perfeitinho, e tudo o que dizemos, ela parece um papagaio. Um amigo meu, ontem ao telefone, admirava-se de ela falar tão bem. E também ontem, enquanto a minha tia a levava para brincar:
-" Qué mãe. Num tá cá"(Quero a mãe. Não está cá.)- pedia ela.
Sempre que nos vê a ir à casa de banho e quando tem cocó:"Tem cócó."
Quando a irmã está a brincar e ela também quer, diz logo:"Tamém qué." (Tambem quero).
No elevador a disputar um brinquedo com a irmã:
-" À bebé. É meu." (O bebé. É meu)- a vizinha que desceu connosco até comentou o facto de ser um bebé tão pequeno e tal...
Quando chegámos a casa, começámos a ouvir um barulho tipo martelar e ela, muito concentrada de dedito espetado:-" Chiiiu".
Eu fico todos os dias espantada com a facilidade dela na fala (especialmente porque a mana era tão "espanhola").

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A "piquinita"

O dentinho que tinha erupcionado há apenas três semanas (o último de 4 que tem, o ICSD) foi parcialmente partido agora à noite, numa brincadeira com a irmã. Cortou também o freio, o que lhe deu direito a sangue e algumas lágrimas. Mas com ela, o choro é sol de pouca dura e rapidamente se esqueceu. Agora quando lhe pedimos para ver a boca ou o dói-dói, abre a boquita e fica à espera que vejamos. Tão linda (Ai aquele dente. Queria tanto que ela tivesse um sorriso lindo, como o da irmã).

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Quarta-feira, Outubro 14, 2009

29 anos

É inevitável neste dia, lembrar-me de todo o teu percurso desde um bebé louro, reguila e roliço ao que és hoje. Sobressaem os teus momentos de humor, especialmente. E a disponibilidade. O teu jeito desajeitado. O entusiasmo contagiante.
E 29 anos depois, continuamos aqui. A chorar contigo. A sorrir contigo. Tantas vezes à tua espera, outras tantas a tentar acompanhar-te. Mas sempre. Até aos 100 (e já só faltam 71).
Amamos-te muito. Parabéns. Com uma vida plena.

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Parabéns tita Vera

A mamã disse-nos que fazias muitos anos e por isso queremos dar-te os parabéns. Mas queremos também soprar as tuas velas e comer o teu delicioso bolinho. E quanto ao presente, pode ser muitos beijinhos?
Parabéns tita Vera, das tuas sobrinhas mais lindas.

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Terça-feira, Outubro 13, 2009

Com o início das aulas (às quais ainda não fui sequer)

O caos está instalado novamente na minha vida.

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Domingo, Outubro 11, 2009

Do dia de hoje

Acordei um pouco antes das 7 h como normalmente, e senti a casa a girar. Comecei a sentir-me sem forças e a suar. Estava tipo cal. Reconheci os sintomas por causa doutro episódio semelhante que já tive há uns anos e meti logo um pacote de açúcar debaixo da língua. Fomos até ao SAP que é aqui ao lado. A médica mal olhou para mim (o que já nem estranho, porque por estas bandas a Medicina é feita assim), mal me tocou (palpar nem vale a pena, que dá muito trabalho) e inventou um diagnóstico. Tentei explicar-lhe bem os meus sintomas porque me pareceu que ela estava um pouquito equivocada. Mas pronto, enviou-me para o hospital. Lá, fui à triagem, pulseira amarela e maca. Lá fiquei a "aproveitar" a hipoglicémia, visto que me deixaram 3 horas (e pouco) à espera. Claro que ao fim de cerca de 2 horas eu estava a entrar em hipoglicémia novamente, mas fui salva pela bela da cunha. Vi passar uma enfermeira que conheço e pedi-lhe um pacote de açúcar (que o meu estava a acabar) e ela trouxe-me um chá. Ao fim das tais 3 horas, lá me espetaram a veia da mão (tão bom!) para me sugarem o sangue e encharcarem o restante em medicação.
Depois de mais 4 horas à espera e muitas peripécias, lá vim com medicação para a tal dor que tenho tido, e um pedido do tal exame que terei de fazer.
O resto do dia tem sido difícil. Sinto-me fraca e tenho medo que volte a acontecer. Principalmente que seja num dia que esteja sozinha com elas. Mas enfim. Não vale a pena sofrer por antecipação.
Quanto à noite de hoje, já estou a esfregar as mãos de contentamento. Quando me vierem com queixinhas e lamechices (e já não há-de faltar tudo, principalmente umas pessoas que eu cá sei) só terei uma pergunta: Não os puseram lá? Agora aguentem-se.

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Sábado, Outubro 10, 2009

A mente no seu melhor

Continuo doente. Uma dor que me acompanha há já umas semanas. Assim que o médico me falou num exame do qual eu tenho um medo terrível, a dor desapareceu (bem, quer dizer, não totalmente, mas quase).

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Às vezes até me esqueço que tem apenas 15 meses

Mama até ficar satisfeita. Quando não quer mais, tira a boca da mama, diz "tá tá" (já tá) e puxa-me a camisola para cima (nada de misérias à mostra, deve ela pensar).

No hotel onde estivemos, havia uma música que a Mariana gosta de dançar. A coreografia é qualquer coisa como esticar os braços, cerrar os punhos, levantar os dedos, pôr a cabeça para trás e rodar. A Matilde estica os bracitos, põe a cabeça para trás, dá uma volta e entoa a música. O máximo (amanhã tenho que filmar...)

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Da fala da pequenita

Hoje, como quase todos os dias, mais umas palavras novas. Pegou num prato, mostrou-me e disse:
"plata" (prato). O "mou", foi sustituído por um "meu" perfeito.
No outro dia eu estava a dar meia bolacha à Mariana como recompensa, e disse-lhe que não mostrasse à irmã. Ela estava na divisão ao lado, e ouviu. Começou logo a gritar:
-" Boácha"- assim, (quase) perfeitinho.
Ontem no infantário, a educadora C. lá me dizia (again) que ela era muito desenrascada, que queria fazer tudo sozinha e que já falava muito. E eu não sei? O que estranho, é a forma quase correcta como diz as palavras. Para mim é novidade, visto que a mana era uma espanholita (Mas também falava muito, que isso deve ser genético. A minha mãe costumava dizer que eu ainda era bebé de colo e já falava muito e bem. E quando era mais velha, os meus pais diziam-me pelo menos cem vezes ao dia: "Cinco tostões para te calares". Nunca me deixei comprar. Eheheh.)

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Da Mariana

-" Papá, não há mana mais gira que esta."

A recusar a sopa do jantar:
-" De certeza que isto me vai fazer mal."

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8 de Outubro

15 meses.Uma energia inesgotável, um sorriso malandro e uma ternura sedutora. És assim, pequeno furacão. E eu amo-te tanto.

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Quarta-feira, Outubro 07, 2009

É o Pedro e basta

A Matilde a berrar, do Algarve para cá (até a mim, me apetecia berrar), e o Pedro:
-" Matilde, só faltam 5 kms."
-" Oh mor, mas olha que a placa dizia que faltavam 10 kms."- dizia eu.
-"Deixa lá, ela não sabe os números."

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Do dia de hoje

Hoje tive um dia... Começou logo mal, a lidar com gente que tem a mania que é superior a todos os comuns mortais. Depois de uma tarde horrível, em que aconteceu um pouco de tudo, chego a casa e a minha filha mais velha decide presentear-nos com um " fôga-se". Eu chocada, lá lhe expliquei que era uma palavra muito feia (era demasiado feia para eu ignorar). Não brinquei quase nada com elas. Mal os vi, aos 3. E já passou a noite e é (quase) hora de dormir. Amanhã é outro dia e espero que bem melhor.

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Lambe you.

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Ainda da mania dos sinais

-"Mamã, aquele carro está estacionado no proivido. Ele não vê nada, mamã? Não olha para os sinais?"

(Mamã Cat, tens razão, as carraças são as carroças. É aquele sinal de proibição das auto-estradas.)

Pergunta os sinais, quando nós não os vemos, e como temos que responder sempre, inventamos.
-" Não mamã, não é esse. É assim, blá blá blá....Vocês não olhem para os sinais. Não sabem que têm que ver os sinais todos?"
E o Pedro já anunciou que vai "matar" a educadora, se for ela a responsável por este interrogatório constante.

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Ainda do furacão lá de casa

Ainda não tem medo de enfrentar ninguém. No outro dia chegou à escola com o seu bebé ao colo, foi ter com uma miúda mais velha que ela, encostou-lhe o bebé ao peito e com um ar de desafio:
-" Bebé. É mou." (Este bebé é meu.)- enquanto o retira rapidamente e o encosta ao seu peito novamente, com aquele olhar "ai de quem lhe mexa".

Chega ao pé da irmã e tira-lhe os brinquedos com uma rapidez que só vista. Grita muito se a irmã tenta recuperar os brinquedos. Puxa-lhe os cabelos e tenta morder-lhe.

Hoje ainda estava a dormir. Agarrou o edredon e gritou "Mou"(meu), virou-se para o lado e continuou a dormir. (Até a dormir, my God).

Ontem, estava a brincar com uma prima que veio de França, um ano mais velha que ela. De repente, a prima que tem 5 kilos a mais que ela, encostou-se e ela bateu com o queixito. Levantou-se, e batendo-lhe: "É má" . Assim com as letras todas.Tão rápida que só deu tempo de a ir buscar quando já tinha dado na prima. A prima nem percebeu. Claro que todos se riem dela. E eu nem sei como fazê-la ver que está a fazer mal. Se lhe "sacudir o pó", ela ri-se, pensa que a estou a desafiar e começa a bater-me e a dizer "tatau". Se a ponho de castigo, olha para mim com aquele ar de "sou a bebé mais linda que conheces" e agarra-se a mim. Se lhe faço ar de má, olha para mim como se não percebesse.

Ontem os meus tios até faziam novamente a observação: "Esta miúda saiu da cadeirinha e começou a andar. Nem se viu gatinhar nem nada. E é sempre tão desenrascada. Chegou ali ao triciclo, levantou a perna e sentou-se." E é verdade. A Matilde era tão sossegada que ficava na cadeirinha e ninguém dava por ela. Assim que conseguiu andar (e eu acho que ela começou a andar cedo para poder fazer maldades), transformou-se num furacão. Não há ninguém que não se aperceba da sua genica. Eu que não estava habituada a uma assim, acho estranho que um bebé possa ter-se transformado de o bebé mais calmo que conhecia, num bebé tão cheio de vida. A verdade é que passam o dia a perguntar-me por elas e eu passo o dia a responder:
-" A Mariana porta-se bem, a Matilde nunca pára. Está tão reguila, tão mexida."
E as pessoas dizem que é normal da idade. Até a verem.

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