sábado, maio 01, 2010

O que ela diz

Já há uns meses que não fala só com palavras soltas. Constrói frases, perfeitamente. Fui apontando as que repete mais vezes, porque nem sempre a câmara de filmar está à mão...

"Boa mamã, muto bem. Páminhas pá mamã."

"Qué vê o espétácu do Guca. Óia o babinho do uxinho Gummy."

"Blaaac. Qui noxo."

"Xe caiar." (Se calhar)

"Tás a xaxeri mamã? És tonta?"

"Deixa batê à mana, mamã. Deixas mamã?"

"Muto bom. Muuuuto mióre."

"Tou muto xangada."

"Não é nada."

"Tás a xaxeri? Óia pa mim, mamã. Óia pa isto, tuto extagado."

"Xoi a Baiana." (Foi a Mariana.- quando lhe digo que tem muito cocó na fralda.)

"Bou tiáre, tá bem? Xóxinha." (Vou tirar, está bem? Sózinha.). A Patita/Matita/Patilde, conxegue.

"Xá paxou o coaínho da Pásca?"

"Qué xalari com eua." (Quero falar com ela).

"Tiáste daqui a maminha mamã, tiáste?" ou
"Xexaste a póta da maminha mamã, xexaste?" (Fechaste a porta da maminha mamã, fechaste?)

"Bou tapá o naiz."

"Xou xuião." (Sou chorão).

"É a pinxexa, mamã. Tão uinda."

"A abó apanhou a paínha (palhinha)."

"Bou xaxer um zanho. Óia, exquevi Baiana. Agóia esquevi Matita. Agóia papá. Agóia mamã. Uau."

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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Não é que alguma vez me vá esquecer, mas... (1º internamento e espero que último...)

Esta noite teve muita tosse. Notava-lhe também alguma dificuldade respiratória. Ventilan. Melhorou mas não passou a minha aflição. Bem acordada, relembrei aqueles dias. No internamento. Quando fui levar a Mariana à escola e fui com ela directamente ao SAP. Costumo ligar para o saúde 24. Não havia tempo. Nem era preciso auscultá-la para perceber que havia roncos em tudo quanto era pulmão. Esperei pouco para sermos chamadas. O suficiente para entrar uma mãe duma amiguinha do infantário que trabalha lá e ir mimá-la. Logo à entrada da consulta, a típica simpatia da médica que nos atendeu. A tirar as conclusões dela, à maneira dela. Expliquei bem que ela andava desde há umas três semanas ora melhor, ora pior. Que tinha dias em que estava bem. Que apenas tinha tido dificuldade respiratória desde o dia anterior mas tinha melhorado com o Ventilan. Mas que de manhã estava a piorar e que o Ventilan parecia não estar a resultar. Descrevi todos os sintomas detalhada e cronologicamente. Queria lá saber se a médica queria embirrar e dizer que ela estava com aquele dificuldade respiratória há 3 semanas. Era a interpretação dela. Eu bem sabia que a minha menina não estava bem e só queria que lhe fizessem a oximetria para me descansar (ou não). Finalmente percebeu e começou a consulta de novo. Com outra simpatia. Explicou-me que devia ter ido directamente ao hospital (e quando vou, alguém diz que devo ir sempre ao Centro de Saúde, mas enfim...)
Fui a "correr" com ela e com a carta. Quinze longos minutos. Não havia estacionamento. Estacionei demasiado longe. Aflita com ela ao colo e um saco com o Ventilan e aerochamber, fraldas, roupa, comida, brinquedos e afins. Como se um sexto sentido me dissesse que íamos precisar de tudo aquilo. Ela aflita, mas sempre com a Kitty, um cão e um bebé na mão. Eu aflita de esforço (de carregar aquilo tudo) e nervos. Sem telefone. Avariado, sem bateria. Um novo, ainda sem bateria também...
Chegámos, entreguei a carta da médica e ao fim de 20 minutos de comunhão de germéns com "dezenas" de crianças que lá estavam, levantei-me e fui perguntar se demorava ainda muito. Estava aflita, ela. que havia um problema com o computador e o nome dela podia até nem estar. Ia ver. Começam a chamar-nos. Entramos e a enfermeira e a estagiária que nos atendem, cairam do céu. Doces, calmas, eficazes. Que nem era preciso auscultá-la (mas fizeram-no, claro). Noventa e cinco de oximetria. 37,7º C. Ben-u-ron. assim que ouve essa palavra, começa a berrar:
-"Cocó mau, não. Não mamã."
Começa a admiração das enfermeiras (que ainda não tinham visto nada). Uma delas vem ajudar-me. Pulseira laranja (uma estreia, que dispensava) e ela a tentar arrancá-la. Disseram-nos que não fossemos lá para fora. Que esperassemos nas cadeiras dos meninos mais urgentes, que entraríamos de seguida. Só tive tempo de lhe arrancar a pulseira (que ela não parava de gritar que não a queria) e dar-lhe mama (entretanto era a hora que ela costuma almoçar na escola). Sentença: 3 máscaras de salbutamol e rosilan (onde é que eu já tinha visto aquele filme...). Perguntei se havia mais algum relógio na sala de espera, que aqule estava avariado. Disseram-me que visse as horas no telemóvel. Mas eu não tinha. Começo a imaginar: ela aos gritos, a fugir, três (máscaras) de tortura. Sempre a perguntar as horas para ver se já tinham passado os 20 minutos... Mas não. Nas máscaras esteve sempre sentadinha no meu colo. Meia prostrada mas atenta à história que lhe lia. Ia falando, fazendo perguntas e apontando. E havia outro relógio no lado de obstetrícia (era só levantar-me e ir espreitar). Depois da primeira máscara pergunto se não lhe dão o Rosilan e ninguém sabia de nada. O computador não funcionava. Andavam com papelinhos a perguntar o nome às pessoas. Mas que esperasse. Até que me perguntam se ela toma bem remédios. Claro que sim. Temos que fingir sempre que lhe damos também, todos os dias quando a Mariana os toma. E quando são os dela, pede sempre mais "umédio". Preparam o medicamento e eu digo que posso dar-lhe numa colher como costume. Que não é necessário seringa, que ela toma tudo bem. Mas ainda vou a tempo de perguntar se não lhe adicionam nada. Aquele é veneno. Quando a Mariana o tomou lá, acrescentaram chocolate. Que ela é pequena mas que lhe podem pôr groselha. E dar-lhe um chupa-chupa (Hello, ela tinha 18 meses, mas pronto, sempre dava para brincar...). O que quiserem desde que ela continue fã dos "umédios". Nada de lhe mostrarem que há "umédios" horríveis. Claro que para me contrariar começou a dizer que não queria e foi difícil dar-lho. E eu sempre com ela ao colo, saí e tentei ligar ao Pedro dum telefone de moedas. Atendeu uma colega, que ele estava ao telefone, não podia atender. Expliquei-lhe em breves segundos que estava no hospital com a Matilde e que lhe queria apenas pedir que ele passasse por lá à hora de almoço. Que não tinha mais moedas. Ela disse-lhe para ele atender que era mais ou menos urgente e ele atendeu-me com 3 pedras na mão. Depois lá percebeu a urgência. Saí de lá a chorar. Percebi que as máscaras não estavam a resultar. Nervos. Cansaço. Não tinha dormido nada e estava exausta. Ela olhou para a lágrima que teimava em correr e dizia-me:
-" Não chóia mamã. Páia." (Não chora mamã. Pára)
Eu lá lhe tentei mostrar que não estava a chorar. O Pedro chegou e fomos tentar dar-lhe comida no restaurante do hospital, que ela tinha passado a noite e a manhã toda a mamar. Deu o showzinho da fama dela. Pôs "toda a gente" a olhar para ela e a sorrir. Estava eléctrica. Mas não comeu nada. Só queria água e (o meu) colo. Fizemos a última máscara e esperámos. Esperámos. Esperámos. Ninguém nos chamava. Decidi entrar e perguntar. Explicar que estava cansada porque ela de 5 em 5 minutos queria mama e se podíamos ir para casa para ela descansar (só queria colo). (E mesmo assim, a certa altura desisti de andar coma tralha toda atrás, bonecos, sacos e casacos, que já não aguentava a minha coluna). Que tinha que esperar. Que ser mãe exigia sacrifícios (que engraçadinhas, a ensinar a missa ao papa). Eu lá fui pensando que exigia sacrifícios mas não era esperar por médicos que tinham ido almoçar e dormir a sesta. Mas calei-me. Apenas disse que sempre que tinhamos ido lá fazer o mesmo tratamento, nos chamavam no máximo depois de 30 minutos após a última máscara. Que ela estava a ficar incontrolável com a espera (tinha fome e precisava de dormir). E aqui já eu tinha perdido a esperança de ainda conseguir ir a Lisboa tratar de uns assuntos que precisava mesmo de tratar nesse dia. Ela não estava bem o suficiente para eu a deixar com alguém.
Entretanto a médica chamou-nos. Auscultou-a. Eu já tinha reparado que ela ainda não estava mesmo bem, mas como costumam mandar para casa e ir vigiando, nunca me passou pela cabeça o que a médica diria a seguir.
-" Esta rapariga não está nada bem. Vai fazer mais 3 máscaras. Aguarda pelo menos uma hora e volta depois."
Pensei em ir ter com o Pedro para lhe dizer, mas só a ideia de a pôr e tirar do carro várias vezes, fez-me mudar de planos. Já tinha os braços cansados. Estávamos já a entrar pela tarde e desde o início da noite que a tinha nos meus braços. Subi até ao carro e ficámos lá a brincar. Mudei-lhe a fralda, tentei dar-lhe um iogurte (tive que o comer eu) e fomos brincando. Descansei uns minutos os braços e passado uma hora e pouco fui novamente para o hospital para ela fazer as outras três máscaras. Com moedas restantes do almoço liguei ao Pedro a dizer para ele passar lá assim que saísse do trabalho.
Fez mais três e embora estivesse sempre mais ou menos sossegada, na última já tive que andar atrás dela com a máscara. Quando entrou a enfermeira estava eu de joelhos a segurar-lhe a máscara até onde o fio esticava. Começava a fase da electricidade novamente...
(Continua)

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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Maravilhas da amamentação

-"Matilde, queres papar a carne?"
-"Não. Quero mamotas (mamocas)."
Às vezes não é tão directa:
-"Xenta mamã, xenta."-já sabe que se me sentar consegue levantar-me a camisola e pôr-se a jeito.

Enquanto mama:
-"Dá cá mão."- que é para ir trilhando enquanto me suga toda.

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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Fresquinha

-" Olhó zanho. É Maiana. Uau." (Olha o desenho. É Mariana. Uau.)

Veste o casaco (que ela escolhe) e diz:
-"Tão uinda. Uau."

-"Matilde, a mamã é feioca ou linda?"
-" Feioca."
-" E a Matilde é linda ou feioca?"
-" É uinda."

Com esta não vou ter problemas de auto-estima.

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Anda zangada com os cocós

Sempre que nos vê na casa de banho:
- "Fieste cocó?" (Fizeste cocó?)- pergunta ela com um ar de quem está a ralhar...
-"Não. Fiz xixi."
-" Fieste xixi."- e vai embora toda contente

-" Buuuu, cheia mal a cocó"- enquanto lhe mudamos a fralda.

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quinta-feira, janeiro 28, 2010

Do resultado do internamento

Dormir estendida numa cama, abraçadinha à minha pequenina, é um luxo. Dormir naquele cadeirão deixou-me a coluna feita num oito.

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terça-feira, janeiro 26, 2010

Daqui

Supostamente viria aqui explicar porque é que há 18 meses e meio que não tinha o quarto só para mim e para o Pedro. Explicaria que finalmente este fim de semana tínhamos ido só os dois ficar a um hotel, com o programa Cupido gourmet, up grade para a suite nupcial. Supostamente acrescentaria que tinha sido um presente de Natal. Que tinha uma bela decoração, uma vista fantástica, iguarias deliciosas, banhos de espuma irrepetíveis e uma companhia fabulosa. Supostamente acrescentaria que a Mariana tinha ficado com a mana Vera, e a Matilde (pela primeira vez) com a mana Rita.
Só supostamente escreveria um post tão leve. Porque no dia seguinte a Matilde ficou com uma dificuldade respiratória que nos levou a ficar hospedadas neste "maravilhoso hotel" onde nos encontramos. Segunda feira, pouco depois das 9 da manhã entrámos no SAP e fomos imedietamente enviadas para o Hospital. Depois de intermináveis horas de colinhos e "máscaras", "estamos" internadas. A minha pequenina está doentinha e o meu coração está pequenino.

Adenda- SCAS, nós fomos mesmo passar o dito fim de semana, só que eu é que não me sinto em condições para escrever um post leve sobre ele.

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sábado, janeiro 23, 2010

Da noite

Há 18 meses e meio que não tenho um quarto só para mim e para o Pedro.

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segunda-feira, janeiro 18, 2010

Doenças (mais uma vez)

Depois do dia 11 de Dezembro, em que me queixava que a Matilde estava novamente doente, já teve de tomar antibiótico novamente. Três no espaço de 1 mês e meio. Depois disso, já esteve a semana passada com tosse durante 3 dias. Ontem, (e depois de uns dias com o nariz a pingar) teve 38ºC de temperatura. Também estava com tosse mas hoje já estava um pouco melhor.

A Mariana desde que está a tomar a medicação para a asma tem estado bem. Ou melhor, esteve bem até esta semana. Já tivemos que "reactivar" o Ventilan à noite quando se deita, três dias. O último foi ontem. Ela ia dormir com a minha irmã Vera, lá em casa. Estavam felizes, as duas. A Mariana começou com um ataque de tosse, que o Pedro teve que ir buscá-la. Ela super triste só perguntava porque é que tinha que ter tosse. Muitas vezes também me costuma perguntar porque tem que tomar a medicação se não tem tosse. Lá lhe explico que é para prevenir e ela pergunta-me porque é que a mana não toma.
Ontem fiquei triste. Sabia que alguma vez a doença iria impedi-la de alguma coisa. Foi ontem. E parece que ela ainda não compreende que a doença vai acompanhá-la e algumas vezes alterar-lhe hábitos e desejos. Eu também ainda não estou mentalizada. Ninguém está preparado para doenças. E eu queria tanto que não fosse assim.(Mas claro que sei que há doenças mil vezes piores e que do mal o menos...)

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quarta-feira, janeiro 13, 2010

Coisas engraçadas que ela diz

Hoje de manhã:
"Que inda, manha (Que linda, mana)".- quando viu a irmã com um "gouo" (gorro)

A irmã estava a dar-lhe umas sapatilhas para ela calçar e disse-lhe:
-" Calça os sapatos, lindinha".
Ela:
-" Papatiuas" (Sapatilhas)
Distingue sapatos, de sapatilhas e botas.

Quando vê a comida quente:
-" Tá quente. Sópa." (Está quente. Sopra)
Quando chega à rua:
- "Tem fio" (Tenho frio)
No outro dia, não queria casaco. Chegou à rua e estava a choviscar:
-" Oh chuba. O caáco?" (Oh chuva. O casaco?)

Ontem:
-" Oh papá. Oh pá."- com uma entoação de má, que só visto.

Hoje a ver o jogo duplo:
-" Quem caéga?" (Quem carrega?)-isto porque a irmã costuma perguntar quem irá carregar no botão. E depois de alguém carregar começa logo a dizer "É, carregou."

-" As pissoas. Os maninos." (As pessoas. Os meninos)- enquanto apontava.

(Claro que o que diz mais ainda continua a ser:
- Queuo maminha
- Xai
- Deixa passari)

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terça-feira, janeiro 12, 2010

Consulta dos 18 meses

Correu bem. Quando entrou, reconheceu o local e começou logo a encolher-se. Não berrou, nem sequer chorou. Apenas fez um beicinho e umas queixinhas, enquanto ouvia atentamente a Dra. Deixou auscultar, pesar, medir e fazer o restante exame. Falou muito. Pediu a "históia", chamou os "anhimais" (animais), etc. Na auscultação, parece que ainda tem muita expectoração. Mostrou o dente partido mas detestou que ela lhe visse a garganta (quem sai aos seus...). Tudo o resto "está óptimo". "Cresceu muito bem, o peso também aumentou bem". A médica elogiou o facto de ela se ter portado bem na "terrível" consulta dos 18 meses. Disse que ela em vez de se pôr a berrar, ouviu-a a dizer que não custava nada, e como não custou mesmo, percebeu que não valia a pena chorar. Linda menina.
Falámos da Mariana. Depois da vacina da gripe A.
Voltamos aos 24 meses.

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sexta-feira, janeiro 08, 2010

Ano e meio



Há dezoito meses, olhava-te pela primeira vez.
Princesinha. Cheia de vitalidade. Rebelde. Tagarela. Meiga. Marota.
O meu amor por ti é imensurável.

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