segunda-feira, novembro 29, 2010

Pensem bem antes de se meterem com o tamanho da minha barriga

Tinha acabado de ter a minha primeira filha há 14 horas e já estava a ouvir uma pérola do tipo:
-"Vais ficar com uma barriga tão grande como a minha."
Não satisfeita, após (quase) as mesmas horas de ter a 2ª, ouvi a mesma pérola.
É tudo o que precisamos ouvir. Estamos exaustas. Sem dormir há uma série de horas. Acabámos de passar do estado de graça, para o estado de ignoradas. Temos mais um ser a depender de nós. Os medos. A responsabilidade. As dores. A novidade. Tudo a conjugar-se para receber a cereja no topo do bolo. Dizerem a uma pessoa que esta farta de se achar inferior às outras porque está super barriguda e deformada, que ela vai ficar com uma barriga maior do que quando estava grávida, é no mínimo "delicioso". Principalmente vindo de pessoas que nós achamos que merecem visitar-nos no primeiro dia de vida das nossas filhas.
Da primeira vez apeteceu-me trancar-me na casa de banho e chorar. Na segunda vez, tentei ignorar. Mas provavelmente ficarei com esta memória para sempre. Da sensação de me sentir frágil e feia. Quando era suposto ouvir palavras de incentivo.
E porquê isto hoje? Porque estou a ler o livro "Não há famílias perfeitas", testemunhos de mães nas diversas fases de crescimento dos seus filhos. Enquanto lia esses testemunhos, recordava este episódio. E pensava que quando for novamente tia (tenho esperança de ser em breve, ouviram meninas?) vou estar de plantão com a resposta na ponta da língua para quem se atrever a debitar estas tiradas espectaculares. E o tamanho da minha barriga vai ser o meu principal aliado. Eheheh.
(Ok, eu falei do tamanho, não da flacidez. Isso já é outra história. Eheheh.)

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quinta-feira, julho 08, 2010

Há dois anos


No dia anterior tinha um dos melhores aniversários de sempre. Contigo dentro de mim, sabia que poucos horas faltariam para te receber. O corpo já dava sinais. Aproveitei o dia. Estava serena e feliz. Fui à consulta. Festejei em família o meu 32º aniversário. Já sempre com contracções. Algumas vezes de meia em meia hora. Fui para o hospital com contracções de 2 em 2 minutos, mas já tinha sido mãe e sabia que aquelas ainda não eram as "verdadeiras". Entrei para o internamento à uma e tal da manhã. Depois foi tudo muito rápido e às 2.42 minutos via-te pela primeira vez.
Desta vez nem estranho que já tenham passado dois anos. Já vivi tanto contigo que me parece que fizeste sempre parte da minha vida, minha princesa.

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quinta-feira, maio 07, 2009

Ao contrário da maioria

Esta madrugada acordei e estive a ver televisão. Estive a ver aquela famosa reportagem da Sic (na sic notícias) sobre partos em casa. Percebi duas coisas:
1ª- Ver aquelas mulheres a sofrer trouxe-me à memória o parto da Matilde
2ª- Nunca terei um filho em casa (por minha vontade, claro).
Ok, é giro aquilo do parto natural, e do corpo comandar e da mulher guiar o seu trabalho de parto e de não haver procedimentos médicos, etc. Muito giro, mas não é para mim, obrigada. Eu se mais alguma vez estiver grávida, quero que seja num hospital (é sinal que lá consegui chegar), rodeada de médicos e enfermeiros (que já estive sozinha numa sala de partos e sei bem o que custa), com epidural (o que eu pensei nela no parto da Matilde), se for preciso com episiotomia (nem o pós parto me assusta tanto como a ideia de poder rasgar) e todos os procedimentos médicos necessários.
Sou um bicho esquisito, não é? Enquanto toda a gente luta por um parto mais natural, eu desejo partos instrumentalizados. Talvez porque já tive dois demasiado naturais.

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quarta-feira, janeiro 07, 2009

Há precisamente 6 meses...

fazia 32 anos e saía do médico, directa para o meu jantar de aniversário. Começam as primeiras "mini-contracções" verdadeiras que trariam a minha segunda menina a este mundo. Faltavam apenas 6 horas. Embora eu naquela altura não pudesse adivinhar quantas horas faltariam, sabia que estaria para muito breve (mãe de segunda viagem não se engana). Estava grávida de 37 sem. e 2 dias (que foi corrigido para 37 e 1 dia, que o médico enganou-se).
Nós a dizermos à senhora do restaurante que a Matildinha ia nascer daí a umas horas e ela a dizer que não podia ser. Eu estava felicíssima. Foi dos melhores aniversários que tive.
Pelas 23.30 h saíamos do restaurante e ainda combinávamos ir andar para Leiria (eu ainda a sonhar que era desta vez que me mandavam andar, como eu leio em tantos blogs). Depois lá desistimos da ideia e ainda fomos a casa da minha mãe e levar a Mariana a casa da minha sogra ( e era suposto eu ainda ir a conduzir, quando me lembrei que já não conseguia, com as contracções). Entrávamos no hospital 2 horas antes da minha menina nascer e eu estava eufórica de alegria, mas já com algumas dores.
Passaram 6 meses. Meio ano. A Matildinha cresceu tanto e preencheu as nossas vidas como se sempre tivesse existido. Seis meses, daqui a umas horas...

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quinta-feira, julho 31, 2008

Fim do relato do parto

Depois dela nascer e daquele momento tão nosso, pegaram nela, levaram-na para a vestirem e disseram-me para fazer força novamente como se fosse para a ter. Fiz força mais uma vez e "nasceu a placenta" (eheheh). Passámos à sutura e aí doeu um bocadito. Quatro belos pontos exteriores que me iriam arrepanhar o andar nos dias seguintes. O Pedro ia falando comigo,e estava super feliz, tal como eu. Entretanto apareceram as médicas que estavam na sala ao lado a fazer um parto assistido. Vieram todas, como diz o Pedro, médicas, enfermeiras e auxiliares, de braços cruzados, tipo as peixeiras, observar o fenómeno do "nasceste tão depressa que nem deu tempo para te observarmos". A médica que me tinha internado disse qualquer coisa como: "Pois, com aquelas contracções assim e sem intervalos, só podia dar nisto. " E eu a pensar, "pois mas com aquelas contracções assim, mas não me foste lá observar...". Deram-me os parabéns e saíram. Mandaram-me passar da cadeira para a cama mas esqueceram-se de a trancar e eu ia caindo. Valeu-me a agilidade (sim porque era ex-grávida mas ágil...) para perceber que ia cair e recuar a tempo (bela figura...). Agradeci o facto de me terem ajudado a trazer a minha menina ao mundo e levaram-me já deitadinha na cama. Deram a pequenina ao pai e lá fomos nós para o internamento. Antes de despacharem o pai (sim, foi literalmente um despacho) ainda me lembrei de lhe pedir para tirar umas fotos e depois passaram-na para mim. Era mãe e ela era linda, linda...
(Mariana, desculpa filha, a mamã dizer que tu eras feia e que a mana era linda, mas como sabes vocês eram quase fotocópia uma da outra. A mamã é que não tinha o gosto por caras de bebés ainda apurado. Depois de nasceres passei a achar os recém nascidos, lindos de morrer. E tu és linda, meu doce...)
Post de internamento para outro dia.

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quarta-feira, julho 30, 2008

Finalmente o parto ( post muito longo)

Fiz a inscrição e expliquei que estava com contracções de 2 em 2 minutos. A Sra disse-me que se quisesse, que tocasse à campaínha para entrar mais rápido. Disse-lhe que não porque as dores eram perfeitamente suportáveis. Chamaram-me para a triagem onde fizeram os procedimentos do costume e meteram-me a pulseira amarela (e eu a ler o quadro da triagem e a ver que a cor amarela correspondia a eventuais internamentos). Eu fui ali ao hospital para não arriscar a ir para Coimbra com contracções de 2 em 2 minutos (a enfermeira disse-me para ir com contracções de meia em meia hora) .E porque era tarde para ir para Coimbra, correndo o risco de chegar lá e não estar em trabalho de parto e ter que vir novamente para casa (é uma hora de caminho para cada lado). Para além disso estava preocupada com o Pedro que tinha que ir trabalhar no dia seguinte e se fosse ali em Leiria era mais perto para ele. Até porque agora no hospital de Leiria já há epidural a toda a hora e isso descansava-me (nem eu sabia o que ia acontecer...).
Ainda não tinha saído da triagem já estavam a chamar-me para o gabinete médico. A médica, nova, perguntou-me porque estava ali e eu falei-lhe das contracções mas que sabia pela intensidade da dor que não estava ainda em trabalho de parto. Que estava ali apenas para não arriscar porque do parto da Mariana tinha feito a dilatação muito rapidamente. Ela disse-me que não percebia porque é que eu estava com aquela conversa, porque se pensava que ela me ia deixar ir para casa, estava enganada. Dali já não saía. E eu a pensar que ela me ia mandar andar ou coisa do género. Ok, como ela quisesse. Observou-me e disse-me que eu estava com 2 cms de dilatação (que eu já tinha desde a consulta da tarde) e portanto o organismo estava a preparar-se para entrar em trabalho de parto. Disse-me que me ia internar e fez-me uma série de perguntas sobre tudo e mais alguma coisa (outro parto, sobre nós, gravidez, etc). Disse-me que ia também mandar fazer análises. Esqueci-me de lhe dizer que queria epidural. Ela disse-me para mandar o Pedro embora e para ele deixar apenas as roupas de 1º dia. Que ele podia levar a outra mala e trazer quando voltasse no outro dia (supostamente ela só nasceria lá para a manhã seguinte. Ahahah). Fui lá fora falar e despedir-me do Pedro e da mana Vera. Disse-lhes que lhes ligava a dizer qualquer coisa quando me observassem novamente. Veio uma enfermeira buscar-me. Disse-lhe que queria epidural e ela disse-me que depois das análises e quando entrasse em verdadeiro trabalho de parto com 3 cms me dariam. Ok. Veio a auxiliar ter comigo ao quarto e mandou-me arranjar a roupinha para a M. e vestir uma camisa de dormir. Pedi para ir à casa de banho e quando voltei preparei a água termal e o elástico para o cabelo e a uma enfermeira veio preparar-me para me monitorizar e colher sangue. Fiquei admirada por ela me mandar deitar. Pensava que podia andar pelos corredores. Lá me deitei e ela mandou-me desligar o telemóvel. Tratou de tudo e deixou-me lá sozinha, dizendo que estavam lá dentro na sala a ver o meu ctg, que se houvesse alguma coisa que viam lá dentro. Era uma e pouco da manhã. Liguei ao Pedro à 1h 30 a dizer para eles se irem embora porque ninguém me tinha vindo observar e eu não tinha dores de trabalho de parto embora começasse a ter umas dores nas costas por estar deitada de lado (em Coimbra deixaram-me estar de barriga para cima). Era 1h 35m. Eles foram embora. Passados 5 minutos rebentam as águas e eu disse à auxiliar que foi lá desconfiada espreitar. Disse-me que era possível que sim e foi chamar a médica. Comecei a ter muitas dores, principalmente porque duravam cerca de 4 minutos e tinham cerca de 30 segundos de intervalos. E começavam nas costas. Lá fui fazendo uma massagem a mim própria nas costas e ia sentindo algum alívio. Na barriga, a dor era mais suportável. Passados 10 minutos a médica apareceu e já sabia de tudo o que se passava. Uma coisa que reparei foi que desde a médica às auxiliares todas sabiam em que fase me encontrava e tudo o que se passava. A médica perguntou-me se tinha xixi e como eu tinha, mas não conseguia fazer, pôs-me a sonda que senti, mas não doeu. Disse-me que tinha muito. Observou-me e disse-me que estava em trabalho de parto com 3 cms. Era 1h55m. Pedi a epidural e ela disse-me que tinha já os resultados do hemograma mas que faltavam as provas de coagulação. Como as análises demoravam meia hora e só tinham ido há 20 minutos ainda tinha que esperar 10 minutos. Ok. Ia tentar aguentar porque as dores estavam muito fortes. Lá fui fazendo as respirações, borrifando com água termal e fazendo a massagem nas costas durante os 10 minutos. Esperei mais 5 minutos e toquei à campaínha. Estava com contracções já sem intervalo e estava a ser difícil recuperar. Veio a auxiliar que disse que ia ver se já tinham chegado as análises. Passados 5 minutos (2h15m) chamei outra vez porque ninguém me dizia nada. Veio uma auxiliar que me disse que se não tinham dito nada era porque as análises ainda não tinham vindo que elas não tinham prazer em ver as pessoas sofrer. Foi a única pessoa arrogante. Eu lá lhe expliquei que me estava a descontrolar com as dores mas ela não me disse mais nada. Passados 5 minutos comecei a ter uma vontade incontrolável de vomitar, tal eram as dores. E não tinha intervalo entre contracções. Chamei e trouxeram-me um saco. Assim que mo puseram à frente, passou-me a vontade. Lembro-me de pensar que devia ter adoptado em vez de estar a passar por aquilo e que nem pensar ter o terceiro filho. Entretanto mandaram-me ligar para o Pedro, para o chamar. Achei estranho e pensei que se há 20 minutos só tinha 3 cms de dilatação, não valia a pena acordá-lo para o chamar. Até porque ele devia ter acabado de chegar a casa e estaria a descansar. Mas lá o chamei. Disse-lhe com uma voz combalida que estava com muitas dores, insuportáveis. E só pensava quantas horas mais conseguiria aguentar aquelas dores. Veio uma auxiliar dizer-me que as análises tinham chegado mas que a anestesista estava no bloco e que viria assim que fosse possível. Eu sabia que a anestesia demorava cerca de 20 minutos a fazer efeito e estava desesperada com dores. Às 2.30 chega a anestesista e começa a explicar-me o que era a epidural e eu pedi desculpa, interrompia-a e disse-lhe que conhecia todos os procedimentos e se ela não se importava de ma dar logo. Ainda queria perguntar-lhe quanto tempo demoraria a fazer efeito, com esperança que ela me dissesse que era imediato mas nem conseguia falar. Ela vestiu-se à pressa e preparou tudo e disse-me que ia pondo o betadine. Pediu-me que não me mexesse a seguir mas eu estava com a contracção mais forte que tivera até então. Quase insuportável. E comecei a sentir um borbulhar dentro da barriga, como se a M. estivesse a descer. Ela espetou-me a anestesia tópica e disse-me para ficar quieta quando passasse a contracção para ela dar a epidural. Mas eu não conseguia, tal era a dor. De repente senti uma vontade incontrolável de fazer cocó, duas ou três vezes, e disse-lhe que já não valia a pena dar a epidural. Expliquei-lhe que estava com vontade de fazer força. Ela disse-me que não podia ser porque há meia hora (mais precisamente 35 minutos) tinha 3 cms de dilatação. Mas pelo sim, pelo não a enfermeira espreitou e disse-lhe:
-" Dra, para a sala de partos já. Ela tem a cabeça mesmo aqui. Não faça força que temos que chegar à sala de partos."
Encolhi as pernas e tentei controlar o incontrolável. Só pensava que o Pedro ia chegar e não ia ver a filha nascer. As dores já tinham passado e eu só tinha vontade de fazer força.
Arrancaram-me o ctg à pressa e a anestesista ia-me dizendo docemente que não me preocupasse porque não levava a epidural mas que a Matilde estava a nascer. Eu não acreditei que ela estivesse mesmo para nascer mas tranquilizou-me muito ela saber o nome da minha menina, e as palavras dela. Repetiu docemente:
-" Não se preocupe porque não leva a epidural mas a Matilde está mesmo a nascer. Viu que foi tão rápido? Ainda é melhor assim."
Levaram-me a correr para a sala de partos e gritaram para as médicas que estavam na outra sala de partos "esta vai nascer primeiro".
A enfermeira disse-me que ainda me queria dar um pouco de anestesia para me fazer a episiotomia. Ao mesmo tempo abre-se a porta da sala de partos e ouvi "Chegou o pai, mesmo a horas". Eu como no parto da Mariana entrou um pai, que não o da minha filha, olhei para trás e vi-o. Ele estava ali. Senti-me aliviada enquanto o via vestir a bata. A enfermeira espetou-me a anestesia e disse-me para fazer força a aproveitar uma contracção. Fiz força uma vez e ela disse-me que me estava a portar muito bem e quando ela me pediu que fizesse outra vez, eu comecei a preparar-me para fazer até ouvir:
-" Não faça mais. Ela já nasceu."
Via-a a rodar-lhe o corpito e senti aquela sensação indescritível da barriga a fazer ploft. Não sei se chorou. Puseram-na em cima de mim e só ouvi o Pedro felicíssimo a dizer que no outro parto não ma tinham posto em cima e que eu tinha tido muita pena disso. Ele estava feliz. Muito feliz. Notava-se no tom de voz. E acarinhou-me. E eu só me lembro de olhar para ela, muito branca e chorar e rir ao mesmo tempo. Chorei. Ri. Sorri. Arrepiei-me com a sensação. Era mãe pela segunda vez, e há três anos e uma semana que não sentia algo assim. Tão grandioso. Tão mágico.
Senti-me a pessoa mais feliz do mundo. A vida e o mundo valiam a pena, nem que fosse só por aquele momento.

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segunda-feira, julho 28, 2008

Do meu aniversário (dia de início de trabalho de parto) II


Depois da saga "em busca de um bolo de aniversário", fomos para o meu jantar de aniversário. Eu estava feliz, muito feliz. Sabia que a minha menina estava para chegar, fazia anos e eram as últimas horas de grávida. Por volta das 8.30/9 h comecei a sentir as primeiras contracções mais dolorosas. Dissemos à sra do restaurante que a Matilde iria nascer daí a umas horas e ela não acreditou. Dizia que eu estava muito bem. Fartou-se de perguntar se era mesmo verdade. E eu entre as dores e os sorrisos lá ia dizendo que sim. Diverti-me imenso e recebi uns presentes espectaculares. Por volta das 23.30 já as contracções eram mais fortes e com intervalos mais pequenos. Para aí de 10 em 10 minutos. Acho que ninguém acreditava quando eu dizia que ela nasceria entretanto. Eu estava sorridente demais. Feliz. acabou o jantar e ainda combinámos com a mana e com os cunhados irmos andar para Leiria mas depois acabaram por ir todos para casa. Eu e o Pedro era para irmos buscar o carro que estava na Marinha mas eu lembrei-me que com aquelas dores já não conseguia conduzir. Fomos a casa da minha mãe buscar a mana Vera e levar a Mariana a casa da minha sogra para irmos ao hospital avaliar a situação e ponderar a ida para a maternidade em Coimbra. Nessa altura estava com contracções de 2 em 2 minutos mas com dores perfeitamente suportáveis.
Deixámos a Mariana em casa da minha sogra e explicámos-lhe onde íamos. Começou a despedir-se:
-" Vai embora pai, vai buscar a mana."
E lá fomos direitos ao hospital, supostamente para avaliar a situação. Faltavam 3 ou 4 minutos para a meia noite. A minha menina tinha escolhido nascer no dia a seguir ao meu aniversário. Eu era um misto de emoções: feliz por estar a chegar a hora, apreensiva por o que se se passaria a seguir e como. Mas especialmente feliz. Sim, especialmente feliz.
(continua)

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segunda-feira, julho 21, 2008

Do meu aniversário (dia de início de trabalho de parto)

Logo de manhã, enquanto eu tomava banho, a Mariana perguntou-me se podia cantar a canção da mana (que costumávamos cantar à noite). Parecia que adivinhava que seria a última vez que a cantávamos antes da irmã nascer.
Levei-a à escola e ela ficou a chorar. Acalmou-se no colo da educadora. Saí com o coração nas mãos e fui almoçar com a minha mãe e estive também com o meu avô. Passei a casa da minha tia e estive a combinar com ela o jantar do meu aniversário (escolhi o restaurante à "última hora" porque para além de ser segunda feira e estar quase tudo fechado, queria certificar-me que não estaria já no hospital e que não festejariam sem mim). Convidei o resto da família que já estava alerta para a eventualidade de não haver festa. Depois decidi que seria uma boa altura para ir tratar de mim e fui esticar o cabelo (visto que estava sozinha e não tinha nada para fazer, nada melhor que mimar-me). As senhoras lá do cabeleireiro não acreditaram quando lhes disse que a Matilde estava para nascer. Disseram-me que com certeza ela ia ser muito pequenina e que eu só tinha barriga.
Aproveitei para ir comprar duas ou três coisas que faltavam lá em casa para o Pedro não ter que ir às compras na minha ausência. Encontrei uma amiga grávida de 33 semanas que me achou "demasiado feliz" para quem estava para ir ter bebé. Estivemos a conversar bastante tempo. À saída encontrei um primo e nova conversa.
Fui para casa preparar um desenho com balões (que a Mariana adora) e um pequeno texto para colocar na cama da Mariana, para à noite o Pedro lhe ler. Escrevi um também para o Pedro e escondi-o também na nossa cama. Revi todos os pormenores da casa para verificar que ficava tudo pronto para a minha ausência. Sabia que quando regressasse a casa já seria com a Matilde nos braços. Descansei um bocadito e despedi-me da casa. Quando o Pedro chegou até me perguntou se já me estava a despedir. Sorri. Tinha a certeza que sim.
Fomos buscar a Mariana e eu estava radiante. Fomos para consulta e eu só conseguia sorrir. Só que o médico estava atrasado (e eu tinha ligado a confirmar a hora) que comecei a passar-me. Porque tínhamos marcado o jantar do meu aniversário cedo para ter a certeza que ainda festejava.
Por volta das 19.40 lá entrámos e estive a fazer ctg. O coraçãozito dela batia certinho e as contracções não estavam registadas porque mexi-me e aquilo saiu do sítio. Passámos à sala de observação e ele disse-me que o colo estava favorável mas que ela estava subida. Que por isso não sabia se ela nasceria entretanto, mas que em comparação com o que aconteceu no caso da Mariana que seria bem possível. Mais um toque, que não doeu nada.
Disse-me que a Mariana era uma criança muito bem disposta e que se via que era muito feliz. Eu disse-lhe que devia ser porque tinha andado feliz na gravidez dela e que esperava que o que se passou nesta gravidez não se reflectisse na Matilde. Ele indignado disse-me que as gravidezes tinham sido iguais, eu é que na da Mariana a tinha levado com demasiada ligeireza (eu nunca tinha visto isto sob esse prisma).
Saí da consulta, despedindo-me até 6 semanas depois (revisão pós parto) mas ainda marquei outra consulta para a quinta feira seguinte (embora tivesse o feeling que já não iria). Fomos comprar o bolo e fomos para o meu jantar de aniversário. Eram 20. 15 m e começava ali a recepção à minha menina...

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sexta-feira, julho 11, 2008

Despachadas

Cá por casa somos assim: despachadas. Eu a despachar miúdas antes do tempo completo (eu não disse que não passava do 17 º lugar no Babyblog. Eu gosto de passar à frente...Lol) e a despachá-las rapidamente no parto, que isto de partos demorados não é vida.
A minha filha mais nova (é boa a sensação de dizer isto...) a despachar fraldas... Tirei-lhe uma com chichi, mesmo a tempo de lhe colocar outra, começa a fazer outro (a tentar repetir a gracinha que fez na maternidade, que eu não tinha outra fralda por baixo. A Mariana só fez isto uma vez, no muda fraldas da banheira) e assim que fui lavar as mãos, só ouvi a minha mãe a dizer que ela tinha feito cocó. Mudei-lhe novamente a fralda e um minuto depois, fez novo cocó.
Que vale é que tenho um reservatório de fraldas...

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domingo, julho 06, 2008

Pode ser?

Quinta feira fui à preparação para o parto, para praticar os exercícios de expulsão pelo menos uma vez e a enfermeira disse-me:
-" Se fizer assim, nasce logo à primeira."
Ok, recomendação aceite. Mas já agora, podemos passar aquela fase das contracções à frente e passar logo a esta?

(Também me disse que estava com uma barriga grande. Nããão, é impressão dela... Eheheh.)

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quinta-feira, julho 03, 2008

Será?

Se nos primeiros dias depois de deixar de tomar a medicação, achava que a data do parto estava próxima porque tinha imensas contracções e mal estar, ontem já estive melhor e hoje estou óptima (embora de manhã me sinta sempre melhor). Acho até, que ela se vai aguentar até 2 ª feira. Assim até tenho uns diazinhos para descansar...
(Embora esta noite tenha estado com muitas cólicas e diarreia, penso que foi intestinal. Mas já estava a achar que eram só contracções).

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segunda-feira, junho 30, 2008

Ponto da situação

Está tudo mais calmo. As contracções abrandaram e a má disposição está mais suportável. Já fui 50 vezes à casa de banho e tenho sempre a bexiga cheia. Tirando isso, está tudo normal, como nos últimos dias.

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sábado, junho 28, 2008

Medo do parto II ?

É impressionante como a mentalização e o tempo que dura uma gravidez, nos prepara psicologicamente para o final. Sempre que alguém me liga a dizer que vai para a maternidade, eu só penso: "Antes ela que eu".
Agora não. Estou perfeitamente em paz com o facto de a "próxima vez" ser a minha (só estou tão mentalizada que será dia 7, que se for antes, vou ficar assim um bocado "assustada", porque tudo o que me foge ao controlo stressa-me um bocadito).
(Ah, e lembro-me da outra vez, quando ia para a maternidade, enquanto ligava à família, pensar:" A esta hora, estão elas a dizer: antes ela que eu." Eheheh).

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Medo do parto?

Se da outra vez, o que me assustava era o desconhecido, desta vez não perco tanto tempo a pensar nisso, porque já sei mais ou menos o que me espera. Claro que há imensas situações em que qualquer coisa pode correr mal. Claro que conheço melhor os riscos, mas sinceramente depois de perceber que pode ser um parto normal, como o primeiro, deixei de me preocupar (estava com medo da cesariana por diversas razões). Penso que vai ser rápido (a única coisa que me deixa a pensar é se não tenho tempo de chegar à maternidade e como chegar). Mais de resto, sei que quero colaborar muito para ajudar a minha princesa a nascer, e daí as aulas de PPP. Que me ajudaram muito a controlar-me e a estar perfeitamente consciente do que devia fazer em cada altura. Acho que me portei muito bem, porque estava muito condicionada para assim ser. Desta vez, espero que seja igual. Porque afinal não custa assim tanto (Esta parte é a de mentalização, ok? Nada de comentários engraçadinhos.) e vai ser tudo rápido (mas espero que não demasiado) e quando for a ver já a tenho nos meus braços (mas sei que se for como da última vez, vou "amaldiçoar-me" em pensamentos, na altura das contracções sem intervalo para descansar, por ter engravidado outra vez, já sabendo por o que tinha que passar. Ou vou tentar pensar que bom, bom, era só voltar lá para as 50 semanas. Depois de ela nascer, tudo passa e afinal não custa assim tanto...Pudera, já nasceu...).
Portanto, eu não tenho medo (só tenho um bocadinho se pensar muito nisso) e vai correr tudo bem e rápido. Como já li em qualquer lado, vai ser "canja".

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sexta-feira, junho 27, 2008

Pode ser que as hormonas sirvam de desculpa

Com o entusiasmo de ela já estar cefálica, nem estava bem em mim. Decidi perguntar ao médico o que fazia se entrasse em trabalho de parto antes da consulta de dia 7. O médico muito sério:
-" Olhe, vai para a maternidade..."
Boa solução. É que nem tinha pensado nisso.

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quinta-feira, junho 26, 2008

Da consulta

A outra novidade é que se a Matildinha não nascer até dia 7 (lá se vai a minha festa de aniversário), nesse dia temos consulta e ele dá um toquezito. Se for como da Mariana nascerá nesse dia ou no dia a seguir (tu bem dizes, Xana). Se nascer dia 8, nasce precisamente com o tempo de gestação da Mariana (e já não será prematura...). Mas como deixo hoje de tomar a medicação, vamos ver.
Já disse que estou muito feliz? (No início não achei grande piada ao dia da consulta, mas sinceramente o que interessa é que ela já está cefálica e que assim em princípio ainda posso festejar o aniversário da minha princesinha dia 1).

Adenda- O médico começou por perguntar quando queria que ela nascesse. Eu lá lhe disse que ela estava pélvica. E ele "leva-me" para a sala da eco e põe o ecógrafo na zona abdominal inferior e vê que já não. Fez-me a colheita para estreptococos. Fez o toque e combinámos para dia 7, que dia 3 ainda era cedo. Vim embora. Estava cheio de pressa e nem fui vista na sala normal. Só depois fui fazer o resto das análises às 13 horas.

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Relatividade

Pois claro que toda a gente, agora, já me deseja uma "hora pequenina". Pois bem, claro que eu percebo a intenção, mas espero que não seja assim tão pequena como eu imagino. Ora bem, se da Mariana foi super rápido, começo a imaginar que será ainda mais. E eu quero chegar ao hospital (pelo menos isso), ter tempo para respirar e se possível ter tempo para o meu amor assistir. Pode ser?

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quarta-feira, junho 25, 2008

Pensamentos

Ontem na preparação para o parto, a enfermeira disse que o trabalho de parto corresponde a um esforço de trabalho de lavoura de sol a sol. Ora, eu esta noite numa das 3 ou 4 vezes que fui à casa de banho (sim porque à noite já estou inchada, mas de manhã pareço outra. Têm que sair por algum lado, estes líquidos), comecei a pensar:
Se até para me levantar para ir à casa de banho me sinto cansada, não posso entrar em trabalho de parto nem ao final do dia, nem durante a noite. Acho que não aguentava o cansaço. A sério, como estava ontem, acho que a minha filha nascia em casa. Claro que hoje ainda me sinto muito "debilitada" e vou ter mais um dia daqueles. Portanto querida filha, nada de te entusiasmares com a lua de amanhã. Espera pela de dia 3, ok?

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domingo, junho 22, 2008

Dúvidas (normais?) de finais de gravidez

Não sei se conseguirei dar conta do recado. O que me preocupa são as manhãs. Se de manhã já demoro tanto tempo a sair de casa com a Mariana, como será com duas? Quem me conhece sabe que sou super despachada, e que tive que me adaptar para conseguir "ter paciência" para as saídas de casa demoradas. Andava sempre a mil, passei a andar a quinhentos.

Será que a minha filha vai ser saudável? Preocupa-me muito. Tal como me preocupava a Mariana. Principalmente os primeiros tempos em que ainda não reagem muito.

Será que vou ter tempo de chegar à maternidade? Sabendo agora o tempo que o parto da Mariana demorou, esta dúvida deixa-me ansiosa.

Será que o parto vai correr bem? Há tanta coisa que pode acontecer...

Será que vou passar outra vez, aquele tormento inicial da amamentação? E ela saberá mamar ou vai ser como a irmã que demora duas horas em cada mamada?

E do pós parto, será que vai ser mais fácil? ("hormonalmente" falando, pois claro)


O que sempre pensei que me preocupasse e não me preocupa:

No início da gravidez tinha medo de não amar tanto este bebé como a Mariana. Claro que não passou de um perfeito disparate. Amo tanto este bebé como amava a Mariana na gravidez dela. Talvez agora até esteja até mais preparada para receber este amor, visto que já sei "como tudo se processa".

Na gravidez da Mariana, a minha morte durante o parto passava-me muitas vezes pela cabeça. Agora nem tanto. Afinal tenho duas filhas para criar e não me posso "dar a esse luxo".

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quinta-feira, junho 19, 2008

Recordar o momento de há (quase) três anos atrás


A 5 horas da minha princesa nascer, estávamos aqui, a 100 kms da maternidade, a namorar. E ainda iríamos jantar por essas bandas e passar por casa da minha mãe. Só duas horas depois, começaria a "saga em busca da princesa", que começou com aquele fio de líquido quente que teimava em sair de mim. Até a ter nos braços, foram meia hora de preparativos para sair de casa e uma hora de viagem. Já lá na maternidade foi tudo muito rápido.
Desta vez queria também ter tempo para isto tudo. Mas também gostava de passar por aqueles partos que chegamos à maternidade e temos tempo para tudo. Aliás, pensando bem, eu gostava mesmo é que o final fosse como da Mariana. Uma princesa saudável que nos tornou as pessoas mais felizes do mundo. O resto são delírios...
Ai as hormonas, as terríveis hormonas...

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