Uma noite destas, sonhei que estava grávida da Matilde mas que tinha adoptado um menino de Cabo Verde (talvez por a adopção lá ser mais rápida que cá, segundo vi num programa de televisão). Ele estava doente e eu estava com aquela sensação que tenho sempre que a Mariana está doente. De desconforto e impotência. No dito sonho, as pessoas achavam estranho como é que estando eu grávida, tinha um filho tão pequeno. Eu lembro-me de pensar (no sonho, pois claro), que assim estava preenchida, com os meus 3 filhos.
Eu sempre quis ter muitos filhos. Se acertasse no euromilhões (no que eu não jogo), teria 10 filhos. Uns de barriga, outros de coração. Adorava. Como não tenho propriamente uma vida fácil a nível de tempo e como monetariamente as coisas não são como nós desejamos, costumava dizer que queria ter 4. Número que decresceu para 3, assim que comecei a fazer melhor contas à vida(e porque o papá Pedro concordava com 3, pois claro).
Quando engravidei da Matilde "obriguei" o Pedro a escolher a via por que teríamos o 3º. Da barriga ou do coração. Porque se fosse por este último meio, teríamos que começar a pensar nisso, dado o tempo que demora a adopção em Portugal. Ele disse-me que gostava de ter outro "de barriga". Contentei-me com a resposta. Estava no início da gravidez e já só pensava no terceiro (claro que primeiro queria que tudo corresse bem com esta gravidez).
Agora com o avançar da gravidez, tenho a sensação que nunca mais vou estar grávida. Não me perguntem porquê. Um feeling. Ao mesmo tempo que parece que a gravidez está a ser longa, dou comigo a pensar que provavelmente vai ser a última. Que tenho que aproveitar. Sinto que talvez fique completa com as minhas meninas. Também porque infelizmente a parte económica ainda tem um grande peso nestas decisões. Por lado e noutros dias, dou comigo a pensar que um dia vou ter pena de não ter 3 filhos.
Grávida do segundo, acho que nunca estive tão indecisa sobre este assunto. E por isso quero aproveitar ao máximo esta sensação dos deliciosos movimentos dentro de mim. De sentir que carrego um pequeno milagre. E pode ser a última vez.
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