quarta-feira, setembro 23, 2009

Dias maus

Há dias em que envelheço mais do que seria de esperar nas 24 horas que passam. Há dias que sinto uma exaustão extrema. Há dias que me envelhecem muito mais que a conta e não consigo recuperar assim tão facilmente.
Às quatro e pouco da tarde de Segunda-feira recebi uma chamada de minha casa. Percebi logo que algo se passava. A D. I. mal consegui falar. A minha mãe tinha caído e perdido os sentidos. Voei até casa, enquanto ela ligava para o 112. Demorei cerca de 7 minutos a chegar e depois de esperarmos mais de 10 minutos, decidi que era melhor ela ligar novamente. Eu fiquei a olhar pela minha mãe, que estava já consciente, caída no chão e a sangrar da cabeça. Sabia que não podia levantá-la sem a imobilizar mas estava a ficar impaciente com a espera (visto que os bombeiros deveriam ter demorado o mesmo tempo que eu a chegar, e ainda não estavam lá). Ao fim duns minutos ligam do CODU e confirmar a morada e eu (já passada) disse-lhe que lhe dava um minuto para resolver a situação ou eu levava-a por minha conta e risco. ao mesmo tempo, liguei para os bombeiros, a ver o que se passava, se já tinham sido chamados. A Sra que me atendeu disse-me que o CODU só lhes tinham ligado nesse momento porque tinham activado outros bombeiros que estão a cerca de 20 kms de nós e os tinham mandado para outra freguesia. Ao fim de cerca de mais 10 minutos, voltei a ligar para confirmar a morada (visto que anteriormente só tinha perguntado se já vinham a caminho da ocorrência) e o CODU tinha dado a morada errada.
Ao fim de mais uns minutos, chegaram finalmente. A minha mãe entrou no hospital, uma hora e meia depois de ter caído, quando o tempo razoável seria de cerca de meia hora. E esta seria apenas o primeiro contratempo deste dia e meio alucinante.
Envelheci muito mais que seis meses nestas poucas horas. E não está fácil recuperar do cansaço.
(Post continua...)

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sexta-feira, setembro 11, 2009

"Dia mesmo não" ou "preciso mesmo de desabar isto"

Hoje acordei com os "pés de fora". Tive um sonho que mais parecia um pesadelo (desde criança que eu me lembro quase todos os dias do que sonhei, mas isso é assunto para outro post). Estou nervosa, irritável e chorona. Para melhorar o estado, fui falar com a educadora da Mariana (parece que não tinham percebido que a criança não pode dormir mais do que meia hora na sesta da tarde, senão à noite não tem sono). Como estavam expostos desenhos do primeiro dia de aulas (tema: férias), decidi procurar o da Mariana. Todos tinham uma ou duas figuras humanas desenhadas, com uma flor ou uma casa, excepto o da Mariana. Ela anda na fase de desenhar figuras humanas, mas também de preencher os desenhos com outros elementos. Pois bem, o desenho dela, para além duma casa que se percebia bem, estava cheio de flores, animais e outras coisas que só ela consegue decifrar. Problema: a educadora dela não é muito sensível à diferença. Infelizmente ela já passou por uma situação muito desagradável por causa de ser diferente no comportamento. Como é uma criança muito tímida foi a certa altura apelidada de "imatura". Mais tarde passou a "imatura socialmente" e depois a "criança muito doce". Quando é apenas tímida e ponto final. E quando as educadoras estão lá para a estimular nesse sentido. Quero lá eu saber se ela sabe os números, se escreve algumas palavras, se consegue contar e fazer algumas contas. Tem tempo. Acabou de fazer 4 anos. E sinceramente, eu tal como ela, também fazia contas aos 4 anos, sabia letras e números, etc. Sou mais feliz por isso? Não. Antes pelo contrário.
Nós pais queremos que os nossos filhos nasçam a andar, a falar e a contar. Também cometo muitas vezes esse erro. Depois "caio em mim" e penso naquilo que sou hoje e no que já fui. Uma criança sempre preocupada, (super)exigente comigo e com os outros. Incapaz de pensar em errar. Com dificuldades em lidar com a frustração. Transformei-me numa adulta ainda mais perfeccionista. Ansiosa. E quando olho para a minha filha mais velha, revejo-me nalguns traços. Que não quero que ela tenha. Pode herdar de mim a vontade de viver, a felicidade que encontro mesmo nas pequenas coisas, a inocência, a vontade de querer sempre o melhor para os outros, mas nunca a faceta de querer sempre mais, de andar sempre a mil, de viver amedrontada com determinadas coisas. Quero uma criança que brinque muito e não seja um adulto em miniatura. Como eu sempre impus a mim própria. E é isso que tenho tentado fazer na educação delas. Tudo tem o seu tempo e eu tenho tentado respeitar isso.
Mas voltando aos desenhos. Eu conheço muito bem a educadora dela. Sei que ela deve ter olhado para o desenho dela e mais uma vez a deve ter discriminado. O desenho está bonito. Colorido. Cheio. À maneira dela. Não é esse o problema. É a diferença. Que infelizmente não é muito bem aceite por nós. E eu não quero fazer uma tempestade num copo de água, mas também não quero que se passe, como aquando daquela situação de chamarem imatura à Mariana, só porque ela é tímida. Depois disso, com uma distinta "lata" disseram-me: "Sabe mãe, a Mariana já está muito melhor. Temos andado a puxar mais por ela e já anda mais confiante, mais alegre. Como ela estava sempre tão caladinha, nós achávamos que ela estava bem e se calhar desprezámo-la um bocadinho."
Ou seja, a minha filha, que em casa é um poço de alegria, de sorrisos e boa disposição, lá era completamente diferente. Parece que só na dança criativa é que ela saltava, dançava e sorria. A professora da dança até disse à educadora que a Mariana era das meninas mais alegres que conhecia. E porquê? Porque adora dançar. Sente-se no mundo dela. Tal como em casa.
E eu vir a saber que ela durante o primeiro período foi desprezada, foi muito duro. Chorei muito, naquela noite. Escrevi uma carta à educadora, para ser contida nas palavras e não dizer tudo o que me apetecia dizer-lhe. Telefonei a pedir uma reunião. Até a directora da escola veio falar comigo e assinou a carta que eu tinha escrito. Foi grave. Muito grave. Passaram a tratar-me doutra maneira. Que não me deixou mais confortável, porque não gosto de ser apaijada. Mas pelo menos começaram a estimular a Mariana a fazer recados, a participar mais, a perder receios e timidez. Aquilo que sempre deviam ter feito a uma criança de 3 anos que se revela tímida. Alguém que percebe destes assuntos me dizia que timidez não é melhor nem pior que extroversão. Mas o que interessa é que ela passou a sorrir mais, lá. Embora sempre tenha gostado de lá estar, de repente passou a sentir-se em casa. E notou-se essa diferença em muitas reacções. E como é que uma mãe reage quando se apercebe que a filha foi desprezada? Não sei. Mas eu reagi assim: chorei. Mais tarde revoltei-me. Perdoei mas não esqueci. E ao mínimo pormenor, tenho uma "recaída". Vê-la ao colo da educadora, enquanto ela lhe dava mimos, não foi fácil para mim no início. Parecia-me fingimento. Mas o tempo cura tudo. Sim. Fui esquecendo e hoje até já consigo falar disso.
Mas assalta-me o medo que se volte a repetir-se a situação. A minha filha passa lá muitas horas e quero muito que esteja bem. Acima de tudo, educo-a para a felicidade. Venha essa felicidade, donde vier. Seja ela pastora, médica ou astronauta. Seja ela a mais inteligente ou até um pouco desligada. Queira artes ou ciência. Não queira nada disso. Queira ser apenas mãe. Ponto. Que saiba viver e ame fazê-lo. Que cresça integra. E feliz. Atingir a felicidade e viver na sua plenitude é o que uma mãe mais deve querer para um filho. Pelo menos para mim, é.
Hoje já chorei. Por ela. Que (a maior parte das vezes) só me faz sorrir. A minha menina doce. Que escreve com as duas mãos, com a mesma facilidade. Que desenha "pespectivas" (perspectivas). Que dança feliz. Que nos diz a toda a hora que nos ama. Que diz que quando crescer vai escrever e pintar. Mas que é demasiado tímida. Que se orgulha de já ter 4 anos. E convence todos que daqui a três dias vai fazer 5. Que ainda guia os acontecimentos da vida dela pelas estações do ano. Que é diferente mas não assim tanto.

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terça-feira, julho 22, 2008

Mais calma

Por mais uma vez me terem carregado ao colo neste momento menos bom, não seria justo não vir cá dizer que depois de uma das noites e manhãs mais complicadas da minha vida, as coisas acalmaram. Penso que o pior já passou. E se de manhã estava de rastos, agora estou apenas cansada, embora mais recomposta. Agora vou descansar e amanhã será outro dia. Só não sei quando volto novamente. Ainda me sinto frágil e preciso de um tempo. De me acalmar. De renovar forças para voltar.
E mais uma vez, muito obrigada a todas por os comentários, as sms, os mails, os telefonemas. O vosso colinho ajudou a sentir-me menos só. Obrigada do fundo do coração. Prometo que voltamos. Brevemente. (E o Pedro também está bem, embora só tenha referido as meninas)

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segunda-feira, março 17, 2008

Segunda feira terrível

Hoje foi um dia horrível. Estive toda a tarde nervosa porque estava a ver que não me despachava a horas para a eco morfológica. Correu tudo mal. Uma segunda feira à maneira.
(A parte da eco foi a única parte boa do dia.)

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